Dois carros oficiais da Assembleia Legislativa de São Paulo, vinculados aos mandatos dos deputados estaduais Altair Moraes e Rui Alves, ambos do Republicanos, foram flagrados na convenção que oficializou a candidatura de Tarcísio de Freitas à reeleição. Os veículos estavam no estacionamento do Ginásio do Ibirapuera durante o evento realizado no sábado (1º).
Segundo a coluna Painel, da Folha de S.Paulo, um dos automóveis era uma Toyota SW4 identificada com a placa de representação 094 e ligada ao gabinete de Altair Moraes. O outro era um Corolla Cross, com a identificação 064, cedido ao mandato de Rui Alves.
O Ato da Mesa nº 36 da Alesp, que regulamenta a utilização da frota oficial, proíbe expressamente o emprego dos veículos para fins de campanha político-partidária. A presença dos carros no local do evento levanta questionamentos sobre o cumprimento da norma, embora as imagens não esclareçam quem os conduziu ou qual justificativa foi apresentada para o deslocamento.
Altair Moraes e Rui Alves pertencem ao mesmo partido de Tarcísio, cuja candidatura ao governo paulista foi homologada na convenção.
O episódio ocorre dias depois de outro veículo com identificação parlamentar aparecer na convenção do PL que lançou Flávio Bolsonaro à Presidência. Na ocasião, um Corolla prata exibia uma placa com o número 509, correspondente ao gabinete do deputado federal Paulo Bilynskyj na Câmara.
Bilynskyj negou que o automóvel pertencesse a ele ou tivesse sido usado pelo gabinete. Também não houve confirmação de que o carro estivesse formalmente ligado à Câmara dos Deputados, e a associação ocorreu apenas pela identificação exibida na placa. No caso da convenção de Tarcísio, porém, os dois veículos foram identificados como integrantes da frota da Alesp e cedidos aos mandatos dos parlamentares.
A repetição de carros com identificação parlamentar em convenções da direita chama atenção para o uso de bens públicos durante o período eleitoral. No caso dos deputados estaduais, a regra da própria Assembleia é direta ao vetar a utilização da frota em atividades político-partidárias, e os gabinetes ainda não explicaram por que os veículos estavam no evento.