A candidata a deputada federal por São Paulo Sophia Barclay (PL), conhecida nas redes sociais como “Trans de Direita”, aparece em registros do Portal da Transparência como beneficiária de programas sociais do governo federal desde 2018. O caso ganhou repercussão após reportagem do Metrópoles mostrar que a influenciadora, que já fez críticas ao Bolsa Família e ao Gás do Povo, teve cerca de R$ 21 mil vinculados ao seu nome nessas iniciativas ao longo dos últimos oito anos, com exceção de 2024.
Segundo a apuração, os primeiros pagamentos do Bolsa Família aparecem em maio de 2018, quando Barclay tinha 18 anos e ainda morava no Rio de Janeiro. Os registros estavam relacionados ao Cadastro Único (CadÚnico), utilizado pelo governo federal para identificar famílias de baixa renda e permitir o acesso a diferentes políticas sociais. Levantamento mais amplo reproduzido por outros veículos, considerando também Auxílio Emergencial e Auxílio Brasil, aponta um total de R$ 27.024,23 em benefícios federais registrados desde 2018.
A repercussão ocorreu principalmente pelo contraste entre os registros e manifestações públicas da candidata. Em setembro de 2025, Barclay publicou críticas direcionadas a beneficiários do Bolsa Família e, durante a pré-campanha, defendeu que pessoas consideradas saudáveis e sem filhos menores de idade realizassem serviços comunitários como condição para continuar recebendo o auxílio. Segundo o Metrópoles, no mesmo mês de uma dessas manifestações havia registro de pagamento de R$ 600 do Bolsa Família em seu nome. Em 2026, ela também questionou publicamente a política de subsídio ao gás de cozinha, enquanto os registros consultados pela reportagem indicavam benefício relacionado ao programa de gás.
Candidata apresenta explicação
Procurada pelo Metrópoles, a assessoria de Sophia Barclay afirmou que a candidata não é contra programas de assistência social e defende que os benefícios sejam destinados a pessoas que realmente estejam em situação de vulnerabilidade. A equipe informou ainda que Barclay teria ficado surpresa ao saber que continuava aparecendo como beneficiária e alegou que seu nome permanecia no CadÚnico vinculado ao cadastro de um familiar.
A assessoria também declarou que a influenciadora trabalha, declara seus rendimentos e que não houve intenção de esconder renda ou receber benefícios irregularmente. Portanto, a existência de pagamentos registrados no Portal da Transparência, por si só, não permite concluir que tenha ocorrido fraude ou recebimento indevido. O episódio, no entanto, colocou em debate a compatibilidade entre as críticas públicas feitas pela candidata aos programas sociais e o histórico de benefícios vinculados ao seu nome.




