A candidata a deputada federal por São Paulo Sophia Barclay (PL) aparece no cadastro eleitoral com grau de instrução informado como “superior completo”, embora um documento escolar apresentado no processo de candidatura indique escolaridade diferente. Segundo reportagem publicada nesta quinta-feira (27) pelo Metrópoles, com base em documentos disponíveis para consulta pública na Justiça Eleitoral, o histórico anexado registra a conclusão da 7ª série do ensino fundamental, em 2014.
Procurada pelo veículo, a assessoria de Sophia afirmou inicialmente que a documentação referente à escolaridade havia sido apresentada à Justiça Eleitoral. Posteriormente, após ser informada sobre o histórico escolar localizado no processo, a equipe reconheceu que a candidata não possui ensino superior completo e atribuiu a informação registrada no sistema a um erro no preenchimento da candidatura. De acordo com a assessoria, a equipe jurídica e o partido foram acionados para providenciar a correção.
O caso deve ser tratado como uma divergência entre a informação declarada no cadastro e a documentação apresentada, sem que isso, isoladamente, permita concluir pela existência de crime eleitoral ou outra irregularidade jurídica. As regras do TSE determinam que o pedido de registro contenha, entre outros dados pessoais, o grau de instrução do candidato e seja acompanhado de comprovante de escolaridade. Os documentos e as condições de elegibilidade são posteriormente analisados pela Justiça Eleitoral.
Até a publicação da reportagem do Metrópoles, o cadastro consultado ainda apresentava a informação “Superior Completo”. Segundo o veículo, não havia sido identificada, naquele momento, alteração pública do dado. A eventual retificação e seus efeitos sobre o processo de registro dependem dos procedimentos da Justiça Eleitoral.
Candidata já havia sido alvo de questionamentos sobre benefícios sociais
A nova controvérsia ocorre pouco mais de uma semana após reportagens revelarem que Sophia Barclay aparece em registros públicos como beneficiária de programas sociais do governo federal desde 2018. Levantamento do Metrópoles apontou pagamentos relacionados ao Bolsa Família e a outros benefícios, apesar de a candidata ter feito críticas públicas a programas de transferência de renda e a seus beneficiários.
Em resposta às reportagens anteriores, a assessoria afirmou que Sophia teria sido surpreendida pelos registros mais recentes e alegou que seu nome permaneceu vinculado ao Cadastro Único de um familiar. A equipe também declarou que a candidata trabalha, informa seus rendimentos e não teria tido intenção de receber benefícios de forma irregular. Outros levantamentos jornalísticos, baseados no Portal da Transparência, também localizaram pagamentos associados ao nome da candidata em diferentes programas sociais.
Sophia passou a ganhar maior projeção no debate político ao produzir conteúdo alinhado à direita e, em abril deste ano, anunciou sua filiação ao PL e a intenção de disputar uma cadeira na Câmara dos Deputados por São Paulo. O pedido de registro de candidatura ainda está sujeito aos procedimentos de análise da Justiça Eleitoral, que verifica a documentação e as condições legais necessárias para participação no pleito.





