O ex-governador de Goiás Ronaldo Caiado (PSD), pré-candidato à Presidência da República, elevou o tom contra o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e disse nesta sexta-feira (10) que Lula (PT) manteria o bolsonarista competitivo no primeiro turno para derrotá-lo no segundo.
“Lula está cuidando do Flávio igual um peru de Natal. Mantendo vivo no primeiro turno para entregar e vencer no segundo turno. Como ele vai para esse embate se tem tantos problemas?”, questionou Caiado em entrevista ao programa “Jogo do Poder”, da CNT, gravado no Rio de Janeiro.
A fala marcou uma mudança na postura pública de Caiado em relação ao concorrente no campo da direita. Até o começo do mês, quando jornalistas o pressionavam em entrevistas coletivas, ele evitava críticas diretas a Flávio e falava na necessidade de derrotar Lula e manter candidatos de centro-direita unidos para um eventual segundo turno.
Na quarta-feira (8), Caiado já havia indicado a guinada ao participar do podcast “Flow”. Na ocasião, afirmou que Flávio não deveria disputar a Presidência e disse a empresários que considera inviável a pré-candidatura do senador bolsonarista.
Crises recentes cercam a pré-candidatura de Flávio
A ofensiva de Caiado ocorre em uma semana de novos desgastes para aliados de Flávio. O presidente do PL, Valdemar Costa Neto, teve bens bloqueados nesta sexta-feira (10) em uma investigação da Polícia Federal sobre desvio de emendas parlamentares.
Outro episódio atingiu o entorno político do senador no Rio de Janeiro. Márcio Canella, pré-candidato do União ao Senado pelo estado e aliado de Flávio, foi preso por posse de um fuzil durante uma operação policial.
A ligação de Canella com a família Bolsonaro ganhou peso adicional porque a mãe de Flávio havia sido anunciada como primeira suplente do ex-prefeito de Belford Roxo. A prisão ampliou a pressão sobre a articulação eleitoral do grupo bolsonarista no estado.
Flávio também enfrentava uma crise interna após a briga com sua madrasta, Michelle Bolsonaro (PL), e a divulgação de um áudio em que apareceu pedindo dinheiro a Daniel Vorcaro, do Banco Master. Na gravação, o senador tratou Vorcaro como “irmão” e teria solicitado recursos para o filme baseado no episódio da facada contra Jair Bolsonaro (PL).