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Justiça

Blogueiro maranhense defendido pela Globo foi preso por extorsão e condenado por chantagem

3 min de leitura Expresso Rio
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O blogueiro maranhense Luís Pablo Conceição de Almeida, de 40 anos, voltou ao centro de uma investigação da Polícia Federal que apura a perseguição ao ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF).

Na terça-feira (11/8), a PF cumpriu mandados de busca e apreensão contra o ex-secretário de Governo do Maranhão Raimundo Cutrim, de Luís Pablo. A operação foi autorizada pelo ministro Alexandre de Moraes.

Segundo registros da plataforma Jusbrasil, ele aparece como réu em mais de 350 processos. A lista inclui ações de diferentes naturezas, entre elas processos trabalhistas e casos relacionados a acusações de extorsão e chantagem.

Em 2017, Luís Pablo foi preso junto com o pai e um irmão, também blogueiros. Os três foram acusados de cobrar dinheiro de pessoas investigadas para impedir a publicação de informações obtidas clandestinamente.

O caso não ficou apenas na acusação. Em 2019, foi condenado por difamação contra três juízes do Tribunal de Justiça do Maranhão, em razão de textos publicados em seu site.

Chefia um esquema de extorsão, com recibos de pagamentos e depoimentos de pessoas que afirmaram ter sido pressionadas a pagar para evitar a divulgação de informações.

A ficha judicial inclui ainda dezenas de ações relacionadas ao descumprimento de obrigações trabalhistas, como pagamento de salários e direitos de funcionários. Há também processos envolvendo outros conflitos de natureza civil.

GloboNews detona Moraes por fala sobre diferenciar jornalista investigativo de jornalista investigado.

“Esse jogo de palavras é meio assustador. O jornalista investigado não tem direito ao sigilo da ? Isso abre um precedente perigoso. Pode ser usado por juízes de diferentes… pic.twitter.com/DJ2LCs2l0G

— Pri (@Pri_usabr1) August 14, 2026

Investigação sobre Flávio Dino

O blogueiro publicou uma série de reportagens sobre o uso de carros oficiais do TJ-MA por Flávio Dino. A investigação conduzida por Moraes busca esclarecer se a obtenção de informações utilizadas nas publicações envolveu acesso indevido a sistemas públicos e dados protegidos.

Em março, a PF apreendeu celular e computador dele. A análise do material levou os investigadores até o ex-secretário de Governo do Maranhão Raimundo Cutrim.

Os investigadores procuram identificar a origem de informações sobre trajetos, horários, endereços e placas de veículos blindados utilizados por Dino e por sua equipe de segurança. Também estão sendo apuradas possíveis consultas a bases do Detran e do Judiciário maranhense.

Luís Pablo nega ter perseguido Flávio Dino ou seus familiares e se apresenta como jornalista. A quebra de suas comunicações provocou reação de entidades e veículos de imprensa, que sustentam que o sigilo da é uma garantia constitucional.

O argumento, porém, não encerra a investigação. O que a PF apura é se, por trás das publicações, houve obtenção criminosa de informações, acesso irregular a bancos de dados públicos ou participação de terceiros na coleta do material.

A discussão sobre liberdade de imprensa e proteção da é legítima. Mas o fato de o sujeito se declarar jornalista não pode servir de salvo conduto para a bandidagem.

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