Pular para o conteúdo

Áudio e repasses milionários colocam Flávio Bolsonaro na defensiva; entenda

Expresso Rio
O pré-candidato a presidência, Flávio Bolsonaro (PL). Foto: Divulgação/Getty Images

Aliados próximos do senador Flávio Bolsonaro passaram a tratar o caso envolvendo o banqueiro Daniel Vorcaro como uma das maiores crises políticas da pré-campanha presidencial do PL. Segundo informações divulgadas pelo blog do jornalista Gerson Camarotti, no g1, integrantes do entorno do parlamentar afirmam que receberam as revelações como uma verdadeira “bomba” política.

A reação ocorreu após reportagem do The Intercept Brasil revelar mensagens e um áudio enviados por Flávio Bolsonaro a Daniel Vorcaro em setembro de 2025. Conforme a apuração, o dono do Banco Master teria repassado R$ 61 milhões para a produção do filme “Dark Horse”, obra que aborda a trajetória política do ex-presidente Jair Bolsonaro.

De acordo com a investigação jornalística, os recursos teriam sido enviados entre fevereiro e maio de 2025 para um fundo nos Estados Unidos ligado a um aliado de Eduardo Bolsonaro. O caso passou a atingir diretamente a estratégia eleitoral do PL para as eleições presidenciais.

Segundo relatos publicados pelo g1, integrantes próximos de Flávio Bolsonaro afirmam que se sentiram traídos por não terem sido informados previamente sobre os riscos políticos envolvendo Daniel Vorcaro e o financiamento do longa-metragem.

O líder da organização criminosa investigada pela PF, Daniel Vorcaro Foto: Victor Moriyama/Bloomberg

A avaliação dentro do grupo político é que o episódio colocou o senador em posição defensiva antes mesmo do início oficial da campanha presidencial. Nos bastidores, aliados afirmam que, caso o cenário tivesse sido comunicado meses antes, ainda existiria tempo para discutir alternativas dentro do campo da direita.

Entre os nomes mencionados internamente estaria o do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, que poderia ser considerado em uma eventual mudança de estratégia eleitoral caso houvesse desincompatibilização do cargo.

O temor entre aliados é que o caso provoque desgaste contínuo na imagem de Flávio Bolsonaro e reduza sua competitividade eleitoral nos próximos meses. Segundo interlocutores próximos do senador, o episódio criou uma nova frente de desgaste político em meio à pré-campanha presidencial.

A repercussão também atingiu outros nomes da direita nacional. O governador de Minas Gerais, Romeu Zema, que também aparece como pré-candidato à Presidência, criticou publicamente o episódio e classificou o conteúdo envolvendo cobranças financeiras como “imperdoável”.

Zema afirmou ainda que o caso representa um “tapa na cara dos brasileiros de bem”, ampliando a pressão política sobre o senador do PL.

Apesar do desgaste político, aliados próximos ao ex-presidente Jair Bolsonaro avaliam que ele deve insistir na manutenção da candidatura do filho até os limites da disputa eleitoral.

A leitura dentro do grupo bolsonarista é que o ex-presidente dificilmente substituiria um integrante da própria família neste momento, mesmo diante da necessidade de explicações públicas sobre o caso.

Nos bastidores de Brasília, o episódio já é tratado como uma das primeiras grandes turbulências da corrida presidencial de 2026 e pode influenciar diretamente os próximos movimentos políticos dentro do PL e da direita brasileira.

autores
tópicos relacionados

Deixe seu comentário

Seu e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *.