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ÁUDIO de suposto operador do PCC cita cobrança de R$ 300 mil no Deic

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ÁUDIO de suposto operador do PCC cita cobrança de R$ 300 mil no Deic

Um empresário apontado como operador financeiro do Primeiro Comando da Capital (PCC) relatou, em uma gravação obtida pelo Ministério Público de São Paulo, uma suposta cobrança de R$ 300 mil atribuída a policiais da área de crimes cibernéticos do Departamento Estadual de Investigações Criminais (Deic). Cléber Azevedo dos Santos foi preso nesta terça-feira (21) durante a Operação Janus.

No áudio enviado a Amjad Ahmad, também apontado como operador da facção, Cléber afirma que agentes queriam “tomar 300 conto” de um homem chamado Robson. Ele menciona uma unidade de investigações cibernéticas do Deic e pergunta ao interlocutor se teria algum contato capaz de intervir no caso. A gravação integra a representação judicial que embasou os mandados, segundo o Metrópoles.

Outra conversa, registrada em julho de 2025, mostra Cléber pedindo R$ 100 mil a um homem identificado como Bruno. Ele afirma que um cliente chamado Caio pretendia fazer uma transferência bancária e receber o valor em espécie porque precisava “pagar os polícia do Deic” após enfrentar um problema. O destinatário final do dinheiro não é identificado.

Cléber é apontado pelos promotores como integrante de uma estrutura responsável por receber dinheiro vivo, converter os valores em transferências bancárias e movimentá-los por empresas e contas de terceiros. O grupo teria prestado serviços financeiros a integrantes do PCC e a outros envolvidos em atividades criminosas, além de participar de negociações submetidas aos chamados “tribunais do crime”.

A investigação também identificou relações pessoais entre os operadores e oficiais da Polícia Militar. Conversas e fotografias citam os coronéis Luiz Carlos Pereira Martins, José Augusto Coutinho e um terceiro oficial chamado apenas de “Patrício”. Os promotores afirmam que os contatos envolviam festas, grupos de mensagens e pedidos de intermediação com autoridades.

A Operação Janus foi deflagrada pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado, o Gaeco, com 18 mandados de prisão preventiva e 18 de busca e apreensão. A Justiça também determinou o bloqueio de R$ 10 milhões em contas, imóveis, veículos e outros bens relacionados aos investigados.

As referências nos áudios ainda são investigadas e não comprovam que os pagamentos tenham sido realizados. Os policiais civis e militares mencionados nos documentos não figuravam como alvos da operação nem haviam sido formalmente denunciados por participação no esquema.

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