O ex-deputado estadual Tony Garcia acusou Sergio Moro (PL-PR) de interferir no Democracia Cristã para impedir sua candidatura ao governo do Paraná. Garcia, que pretendia disputar a eleição como adversário direto do ex-juiz da Lava Jato, afirmou que o senador “corrompeu” o partido e cooptou sua direção nacional para levar a legenda ao palanque de Moro.
A acusação surgiu após o DC desativar a comissão provisória presidida por Ricardo Gomyde, responsável pela articulação da candidatura de Garcia. A nova Executiva estadual passou a ser comandada pela prefeita de Clevelândia, Rafaela Losi, e incorporou dirigentes ligados ao senador. Desde a mudança, a sigla sinaliza que poderá desistir da candidatura própria e apoiar Moro.
Garcia chamou Losi de “laranja” e acusou Moro de interferir tanto na escolha da presidente quanto na nomeação de Fabio Bento Aguayo como primeiro-secretário. Segundo ele, o marqueteiro Marcelo Cattani também teria procurado Gomyde para convencê-lo a “vender” a candidatura do partido. As declarações não foram acompanhadas, até o momento, da apresentação pública das provas citadas pelo ex-deputado.
D E N Ú N C I A DE CORRUPÇÃO
ATENÇÃO SENHORES MINISTROS DO @TSEjusbr @STF_oficial @PFdoBrasil
MORO @SF_Moro continua praticando crimes e precisa ser parado pela justiça brasileira.
Moro entrou no LEILÃO praticado pelo partido DEMOCRACIA CRISTÃ (DC) e ARREMATOU a legenda… pic.twitter.com/NLTjRQyQta
— Tony Garcia (@tonygarciareal_) July 20, 2026
A antiga direção recorreu ao Tribunal Superior Eleitoral para tentar anular a intervenção. No mandado de segurança, Gomyde afirma que a comissão foi dissolvida sem comunicação prévia, indicação de irregularidade ou oportunidade de defesa. A petição pede o restabelecimento do grupo anterior e sustenta que a troca teve o objetivo político de inviabilizar a candidatura própria.
O conflito entre Garcia e Moro remonta a 2004, quando o empresário foi preso por ordem do então juiz no processo sobre o Consórcio Garibaldi. Anos depois, Garcia passou a afirmar que Moro o havia usado para gravar clandestinamente autoridades durante investigações conduzidas no Paraná. O senador nega as acusações.
A assessoria de Moro chamou Garcia de “personagem folclórico que surge em períodos eleitorais” e afirmou que ele foi condenado pelo Tribunal Regional Federal da 4ª Região, com trânsito em julgado, no caso do Consórcio Garibaldi. O senador não respondeu diretamente às alegações sobre sua suposta participação na mudança do comando partidário.
A intervenção coloca em risco a candidatura concebida para confrontar Moro durante a campanha, mas ainda não representa sua retirada formal da disputa. A definição caberá à convenção do DC e à direção que chegar ao encontro partidário com poderes para escolher candidatos e alianças no Paraná.