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Política

Ataque de Flávio Bolsonaro às urnas é fake news usada desde 2014; entenda

Por 4 min de leitura Expresso Rio
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Ataque de Flávio Bolsonaro às urnas é fake news usada desde 2014; entenda
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O senador Flávio Bolsonaro (PL), pré-candidato à Presidência, levou a embaixadores na terça-feira (21) uma informação falsa ao afirmar que as urnas eletrônicas brasileiras “têm a mesma origem” da Smartmatic, empresa venezuelana que ele associa ao sistema de votação. A fala retomou uma tese que o parlamentar usa desde 2014, apesar dos desmentidos da Justiça Eleitoral.

A mesma associação apareceu poucas semanas depois da reeleição de Dilma Rousseff (PT), quando Flávio ainda era deputado estadual no Rio de Janeiro. Na ocasião, ele declarou: “O que nos une é a desconfiança da urna eletrônica, um programa feito por uma empresa venezuelana, a Smartmatic”.

A Justiça Eleitoral afirma que a Smartmatic nunca forneceu urnas eletrônicas nem programas usados nos equipamentos brasileiros. Os contratos da empresa com a área eleitoral envolveram serviços auxiliares, como conexão de dados e voz e treinamento de suporte.

Depois da repercussão da fala a embaixadores, a assessoria de Flávio disse que ele não colocou o processo eleitoral em dúvida e que mantém “integral confiança no sistema eleitoral brasileiro”. A nota, porém, não corrigiu nem explicou a ligação falsa feita entre a Smartmatic e as urnas.

Ataques às urnas, voto impresso e recuos públicos

Em setembro de 2018, Flávio escreveu em rede social que seria “impossível garantir a lisura das urnas sem o voto impresso”. Às vésperas do primeiro turno daquele ano, afirmou ao jornal O Globo: “Nós temos o direito de desconfiar da urna eletrônica”. No dia da votação, compartilhou um vídeo manipulado que simulava preenchimento automático do voto em Fernando Haddad (PT); o TSE e o TRE-MG desmentiram a gravação, e ele apagou a publicação.

Após a Câmara rejeitar a proposta de voto impresso, em agosto de 2021, o senador escreveu que, se o TSE não adotasse novas medidas, “teremos eleições sob suspeita”. Em setembro de 2022, Alexandre de Moraes, então presidente do tribunal, anunciou o uso de biometria em testes de integridade em 56 urnas de 18 estados e do Distrito Federal, projeto sugerido por militares. Flávio disse ao Metrópoles: “Com as medidas implementadas, a possibilidade de fraude é quase zero”, mas manteve a defesa do registro impresso.

No primeiro turno de 2022, Flávio voltou a compartilhar um vídeo que dizia que uma urna não permitia votar em Jair Bolsonaro. O TRE-PA não identificou problema no equipamento. Dez dias depois, ao ser questionado sobre fraude em entrevista ao Globo, respondeu: “Não aconteceu, mas podia ter acontecido”. Quando perguntaram se ele afirmava que não havia ocorrido, recuou: “Não sei. É processo de coleta de informações ainda”.

Em 2023, Flávio tornou-se coautor de uma PEC que prevê cédulas físicas conferíveis pelo eleitor. Em abril de 2024, no “Roda Viva”, disse que o tema era “página virada” e afirmou: “Não adianta mais ficar discutindo isso daqui, que vai dar pano pra manga para não acontecer nada”. Segundos depois, voltou ao assunto e associou a resistência ao voto impresso aos atos terroristas de 8 de Janeiro.

Em agosto de 2024, no Senado, Flávio afirmou que “qualquer sistema eletrônico tem vulnerabilidade”, mas disse que não questionava resultados passados. Em julho de 2025, na Comissão de Constituição e Justiça do Senado, sugeriu que alterações no código das urnas poderiam manipular votos e acrescentou: “Eu acho que aconteceu? Não acho”. Em dezembro, no podcast Flow, declarou: “Eu posso achar que não tem fraude, mas na real a gente nunca vai ter um atestado ali, porque é um assunto proibido”.

Em março deste ano, durante conferência conservadora no Texas, Flávio pediu monitoramento e pressão diplomática sobre o processo eleitoral brasileiro e disse que venceria se “os votos forem contados corretamente”. Integrantes do governo e lideranças do centrão avaliam que a fala aos embaixadores foi um erro estratégico, enquanto petistas dizem que o episódio derrubou a tentativa de moderação do pré-candidato.

No STF, ao menos três ministros avaliaram que o senador fez uma guinada extremista; o presidente do TSE, Kassio Nunes Marques, disse a interlocutores considerar as declarações menos graves que as de Jair Bolsonaro em 2022. A Justiça Eleitoral mantém que não há caso confirmado de fraude nas urnas eletrônicas.

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