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Amigo de Lulinha defende que ele precisa se manifestar: “Ele foi desumanizado”

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Amigo de Lulinha defende que ele precisa se manifestar: “Ele foi desumanizado”

O advogado Aroldo Camillo Filho, amigo de Fábio Luís Lula da Silva há quase duas décadas, afirmou ao DCM que o filho do presidente Luís Inácio Lula da Silva é alvo de uma campanha sistemática de desumanização e destruição de reputação desde 2006.

Ele conta que decidiu falar publicamente, mesmo sem autorização de Fábio Luís, após se indignar com uma série de manchetes sobre o amigo. Segundo ele, a imagem construída ao longo dos anos não corresponde à pessoa que conhece.

O advogado afirmou ainda que a alcunha “Lulinha”, repetida tanto pela direita quanto por setores da imprensa, funciona como um instrumento para retirar de Fábio sua identidade e transformá-lo em uma extensão do pai. Camillo também falou sobre a trajetória profissional do filho do presidente, o impacto das acusações sobre suas empresas, a mudança para a Espanha e os efeitos de duas décadas de exposição sobre sua família.

“EU O CONHEÇO. ELE NÃO É AQUILO QUE ESTÁ ESCRITO”

Sou genro de um ex-presidente do Sindicato dos Metalúrgicos de São Paulo. Durante muitos anos, fui militante do PDT e da Juventude Socialista. Nessas andanças sindicais e políticas, acompanhei de perto o movimento político desde a campanha de 1989. Tenho uma relação com Fábio há quase 20 anos. Não é uma relação profissional. Faço alguns serviços para ele, mas não é isso que nos une.

É uma relação pessoal, que me permitiu acompanhar boa parte de sua trajetória de vida. Convivo com amigos da adolescência dele e com pessoas que estudaram com ele e continuam próximas até hoje. Há, inclusive, magistrados que foram seus colegas de escola. Muitos desses amigos trabalham na área de tecnologia, porque esse sempre foi um assunto em comum. Fábio trabalha com isso desde 2002 ou 2003.

Há muito tempo, digo a ele que precisa se manifestar. Ninguém conhece a pessoa. Você já ouviu a voz dele? Existe algum link em que se possa ouvir a voz de Fábio Luís? Eu me indignei ao ver manchetes praticamente idênticas publicadas sobre ele. À revelia dele, escrevi um artigo e o assinei como amigo. Não entrei no mérito da defesa técnica desta ou daquela acusação. Simplesmente conheço a pessoa. Ele não é aquilo que está escrito. Eu não poderia ser leviano e permanecer calado diante disso. Se ele não quer falar, falo eu.

“O NOME DELE É FÁBIO LUÍS”

A alcunha “Lulinha” é pejorativa e depreciativa. Ninguém do círculo de relações dele, nem mesmo quem o conheceu sem ter intimidade, jamais o chamou assim. O nome dele é Fábio Luís. Toda vez que encontro alguém na rua ou no fórum e a pessoa me pergunta “como vai o Lulinha?”, respondo: não é Lulinha, é Fábio Luís. O primeiro trabalho que precisa ser feito é humanizar essa pessoa, porque ela tem nome e sobrenome. Chama-se Fábio Luís. “Lulinha” é um avatar criado para atacar o pai, atingir campanhas eleitorais e transformar o filho em um instrumento político depreciativo. Meu primeiro trabalho é chamá-lo de Fábio Luís diante de todo mundo.

Ele não é “Lulinha”. Isso se transformou em um cacoete tão difundido que, às vezes, até eu já errei e o chamei assim. Mesmo pessoas que pretendem defendê-lo ou questionar as acusações repetem esse nome. Até dentro do campo progressista, por hábito, continuamos agredindo a pessoa que afirmamos querer defender.

“SÃO 20 ANOS DE MASSACRE”

Essa perseguição existe desde 2006. Não houve uma eleição sem inquérito, investigação ou algum tipo de acusação envolvendo Fábio Luís. Coincidentemente, tudo aparece durante o período eleitoral. Passada a eleição, os casos são arquivados ou ele é absolvido. Desde 2006, ele convive com esse tipo de perseguição. São 20 anos de massacre. Ele não é alvo apenas pelo que faz. É alvo, principalmente, pelo que representa. Sabe que aquilo que recai sobre ele tem um destino certo e um endereço político: o pai.

O fato de Fábio não ter sido humanizado, de não ser visto e de as pessoas sequer conhecerem sua voz facilita esse processo. Não tenho dúvida de que a batalha eleitoral será dura e de que tentarão impor a ele cinco, dez ou vinte inquéritos. O problema é que as absolvições e os arquivamentos só aparecem depois das eleições. Ele será novamente um alvo, com o rosto do pai estampado sobre o próprio rosto.

“NINGUÉM CONHECE ESSE FÁBIO LUÍS”

O Fábio Luís que ninguém conhece foi professor de inglês enquanto estudava. Formou-se em Biologia e trabalhou para duas empresas, produzindo laudos ambientais. Também fez estágio em um zoológico. Isso foi transformado em uma história depreciativa segundo a qual ele “limpava cocô de elefante”. Na realidade, esses estágios eram disputadíssimos entre estudantes que queriam se especializar em aves, répteis ou mamíferos. Tudo o que ele faz, de uma forma ou de outra, acaba sendo transformado em algo depreciativo.

Ninguém fala do Fábio Luís professor de inglês, do biólogo que produzia laudos ambientais ou do profissional que, no início dos anos 2000, percebeu o potencial da indústria dos games. Ele já escrevia sobre jogos eletrônicos na Folha de S.Paulo no início daquela década. Hoje, a indústria dos games movimenta mais dinheiro do que as indústrias da música e do cinema juntas. Ele enxergou isso antes de muita gente. Fábio transformou um programa de uma hora semanal, exibido pela TV Bandeirantes, em um canal com conteúdo 24 horas por dia, sete dias por semana. Esse Fábio Luís ninguém mostra.

A EMPRESA, O APORTE E OS 200 FUNCIONÁRIOS

Quando a empresa recebeu um aporte financeiro para crescer, o faturamento do negócio passou a ser tratado como se fosse dinheiro colocado diretamente no bolso de Fábio. Se a empresa faturava determinado valor, dizia-se que era ele quem estava ganhando aquela quantia, como se não houvesse sócios, empregados, equipamentos e estúdios. A empresa chegou a ter cerca de 200 funcionários. Com a Ação Penal 470 e, posteriormente, a Lava Jato, os anunciantes desapareceram. Os convênios internacionais para a transmissão de games também foram encerrados. Quem desejaria associar sua marca a uma pessoa submetida diariamente àquele tipo de exposição?

A empresa não chegou formalmente a falir, mas não conseguiu continuar como antes. Ironicamente, Fábio vendeu a TV e não recebeu o valor da venda. O processo de cobrança é público e está na Justiça. Ele perdeu o que havia construído, vendeu o que restava e não recebeu. Isso me indignou.

“ELE MORA DE ALUGUEL”

Durante anos, disseram que Fábio Luís era dono da Friboi, da JBS, da operadora Oi, de fazendas, castelos, sítios, Ferraris e uma infinidade de outros bens. Aque o jornalismo tenha vasculhado todos os cartórios de registro de imóveis do país. Nunca apareceu um imóvel porque ele não possui nenhum. Fábio mora de aluguel. Já ouvi histórias absurdas sobre ele ser dono de 150 mil cabeças de gado ou possuir uma Ferrari de ouro.

Certa vez, eu estava em uma mesa com várias pessoas e um homem dizia que estava se associando ao “Lulinha”, que ele abriria portas e facilitaria negócios. Respondi que era amigo de Fábio, que advogava para ele em algumas questões cíveis e que jamais havia ouvido falar daquela pessoa. O homem disse que iria ao banheiro e nunca mais voltou para a mesa. A vida de Fábio foi preenchida por pessoas que dizem conhecê-lo, fazer negócios em nome dele ou guardar fortunas que ninguém jamais encontrou.

A FAMÍLIA E OS FILHOS

Não é preciso comentar detalhadamente o que os filhos dele enfrentam na escola. A família aprendeu a conviver com isso. Fábio tem o lombo calejado, para usar uma expressão mais direta. As crianças foram educadas sabendo o que poderiam enfrentar por serem netas do presidente da República. Elas têm orgulho do avô, por razões óbvias. Como muitas vezes não conseguem agredir diretamente o pai, atacam o filho e acabam atingindo também os netos. Formalmente, isso não destruiu a família, mas dizer que não provoca abalo seria uma leviandade. Ele se acostumou a apanhar.

No Brasil, eram poucos os lugares que frequentava espontaneamente. Normalmente, ia a estabelecimentos em que já conhecia as pessoas. Na Espanha, passou a ter maior liberdade para circular, até a imprensa aparecer na porta de sua casa e de seu local de trabalho. Ele chegou a mudar fisicamente o endereço em que trabalhava, embora tenha mantido sua atividade profissional.

A MUDANÇA PARA A ESPANHA

A mudança para a Espanha começou a ser planejada em 2024 e foi concluída em 2026. Transferir o trabalho, organizar uma nova base, levar os filhos para estudar e expatriar uma família não é algo simples. Foi um processo longo e realizado de maneira regular, com as informações entregues aos órgãos competentes. Fábio é uma pessoa discreta. Não fosse o rosto parecido com o do pai, provavelmente passaria despercebido em qualquer shopping do país.

Veste-se de maneira simples. É um pai presente, brinca com os filhos e se preocupa em organizar as férias das crianças e preservar a convivência familiar. Não tenho nada de extraordinário para revelar sobre ele. É justamente esse o ponto. É um ser humano. Não é um anjo, não é alguém incapaz de cometer erros e não pretende ser tratado dessa forma. Mas também nunca foi parecido com o personagem que construíram a seu respeito.

“ELE É O ALVO PREFERIDO”

Fábio nunca atuou na política. Entre os filhos de Lula, Lurian teve uma passagem como secretária de Direitos Humanos em uma cidade de Santa Catarina. Um dos irmãos de Fábio chegou a disputar uma eleição para vereador e não foi eleito. Fora isso, a família não construiu uma atuação política organizada.

Lula tem vários irmãos, filhos, sobrinhos, netos e bisnetos. É uma família numerosa. Mesmo assim, praticamente ninguém participa da política institucional. Fábio, porém, tornou-se o alvo preferido. Eu chamo isso de fetiche. Parece haver uma busca permanente por qualquer situação que permita acusá-lo de algum crime, irregularidade ou comportamento condenável. Nenhum ser humano pode colocar a mão sobre o Código Penal e afirmar que jamais praticou qualquer conduta prevista ali. Mas a procura em torno de Fábio parece exigir que ele prove, a cada eleição, uma inocência absoluta diante de todas as suspeitas que alguém possa imaginar. No mundo, não me recordo de outro caso semelhante.

“ELE ACHA QUE TUDO VAI PASSAR”

Em determinados momentos, Fábio demonstra uma calma em que eu mesmo tenho dificuldade de acreditar. Ele diz: “Calma, tudo isso vai acabar. Todo mundo vai descobrir que não é verdade”. Essa resiliência de 20 anos me irrita. Eu digo que ele precisa falar, mostrar quem é e permitir que as pessoas conheçam sua voz.

Ele acredita que o tempo resolverá tudo. Eu discordo. A absolvição ou o arquivamento que chegam depois da eleição não reparam o dano causado durante a campanha. O reconhecimento posterior não recupera a reputação destruída nem devolve as oportunidades profissionais perdidas. Por isso, decidi falar, mesmo sem sua autorização. Estou tratando de seres humanos. Ao defender que se humanize uma pessoa, também não posso desumanizar as demais. Meu pedido é simples: chamem-no pelo nome. Fábio Luís.

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