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Advogado bolsonarista é alvo da PF por lavagem de dinheiro para bets

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Advogado bolsonarista é alvo da PF por lavagem de dinheiro para bets

A Polícia Federal (PF) realizou nesta quinta-feira (13) uma nova operação na casa do advogado bolsonarista Nelson Wilians, em São Paulo. Os agentes cumprem mandado de busca e apreensão na mansão do empresário do setor jurídico por determinação da Justiça Federal da Paraíba.

A ação integra a Operação Arena, que investiga suspeitas de lavagem de dinheiro e movimentações financeiras relacionadas à exploração de jogos de azar e apostas esportivas.

Segundo a investigação, o principal alvo da operação é a PixBet, empresa sediada na Paraíba. A Polícia Federal apura a utilização de uma estrutura societária e financeira no exterior para ocultar a origem e o destino de recursos. As apurações também alcançam a PixStar, localizada em Curaçao, após a identificação de pagamentos entre as duas companhias.

Nelson Wilians, conhecido como “advogado ostentação” (mesmo devendo mais de R$ 500 mil em aluguéis) e defensor de famosos como João Dória e Pablo Marçal, é apontado pelos investigadores como suspeito de atuar como operador financeiro do grupo e de ocultar bens que teriam sido adquiridos com recursos provenientes das atividades investigadas.

Ao todo, a Operação Arena cumpre 17 mandados de busca e apreensão expedidos pela 4ª Vara Federal da Paraíba. A Justiça também autorizou a quebra de sigilos telemático e bancário e determinou o sequestro de até R$ 1,1 bilhão. As medidas são realizadas na Paraíba, em São Paulo, Sergipe, Rio de Janeiro e Paraná.

De acordo com a PF, os investigados poderão responder, conforme a participação atribuída a cada um, por crimes como lavagem de dinheiro, evasão de divisas e outros delitos contra o sistema financeiro nacional.

A nova ação ocorre depois de Wilians ter sido alvo, no mês passado, da Operação Distrato, deflagrada pelo Comitê Interinstitucional de Recuperação de Ativos de São Paulo (CIRA/SP). Na ocasião, autoridades investigavam um suposto esquema de comercialização de s falsos de ICMS que teria provocado prejuízo superior a R$ 3,8 bilhões aos cofres públicos.

Segundo o CIRA/SP, empresas ligadas ao advogado ofereciam s tributários com desconto e apresentavam a operação aos clientes como parte de planejamentos supostamente autorizados pelo Fisco. Os investigadores afirmam que empresas participantes deixavam de recolher integralmente o imposto devido e pagavam aos intermediários honorários de êxito que poderiam chegar a 70% do valor dos s utilizados.

A investigação identificou mais de 850 empresas e quase 10 mil lançamentos considerados suspeitos. Foram instauradas 874 Ordens de Serviço Fiscal e lavrados 746 autos de infração que, somados, ultrapassam R$ 3,8 bilhões.

Wilians também já havia sido alvo da Polícia Federal em setembro de 2025, durante a Operação Cambota, segunda fase da Operação Sem Desconto, investigação sobre descontos não autorizados em benefícios pagos pelo Instituto Nacional do Seguro Social (INSS).

Naquela apuração, relatórios da PF apontaram movimentações financeiras consideradas expressivas entre empresas ligadas ao advogado e o empresário Maurício Camisotti. Wilians negou envolvimento em irregularidades, e sua defesa afirmou que as operações financeiras decorreram da atividade regular de seu escritório.

Conhecido também pela exposição de seu patrimônio nas redes sociais, Nelson Wilians costuma publicar imagens de mansões, aeronaves particulares, carros de luxo e viagens internacionais. O advogado reúne mais de 1,4 milhão de seguidores no Instagram e transformou a rotina de luxo em parte de sua imagem pública.

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