O procurador-geral da República, Paulo Gonet, se opôs à apreensão de dinheiro em espécie e itens de luxo em endereços ligados ao senador Jaques Wagner (PT-BA), alvo de uma operação da Polícia Federal em junho no inquérito do caso Banco Master. O ministro André Mendonça, relator do caso no Supremo Tribunal Federal (STF), autorizou a medida solicitada pela PF.
Gonet concordou com a busca e apreensão contra o ex-líder do governo Lula no Senado, mas classificou a coleta de valores e bens de alto valor como uma providência “prematura” e “invasiva”. A manifestação da Procuradoria-Geral da República, a decisão de Mendonça e o relatório da PF se tornaram públicos na quinta-feira (30), por determinação do ministro.
A operação, realizada em 18 de junho, apreendeu 13 relógios de luxo e o equivalente a R$ 479 mil em espécie — US$ 55 mil e 33 mil euros — em um hotel de Brasília e no apartamento do senador em Salvador. Os investigadores apontaram, em análise preliminar, que parte dos relógios inclui marcas como Patek Philippe, Cartier e Hublot, com valores que podem se aproximar de R$ 500 mil.
A defesa de Wagner afirmou que o material recolhido reúne relógios originais e réplicas, sem detalhar quais peças se enquadrariam em cada categoria. A autorização da PF previa recolher dinheiro acima de R$ 20 mil, ou equivalente em moeda estrangeira, além de obras de arte, joias, veículos, aeronaves e outros bens de luxo ou alto valor.
Manifestação da PGR e suspeita de vazamento
No parecer enviado ao STF, Gonet escreveu que a apreensão de valores e bens luxuosos “descola-se da finalidade do ato já por si intensamente invasivo da busca e apreensão”. Para o procurador-geral, a mera presença de itens de alto valor nos locais revistados não configura crime.
O chefe do Ministério Público Federal também alertou para um possível “estrépito social e mediático prescindível”, com interferências desnecessárias sobre direitos fundamentais dos investigados. Mendonça rejeitou essa posição e deu aval ao pedido da Polícia Federal.
A decisão do ministro cita ainda um pedido de audiência feito por Wagner a Mendonça em 9 de junho, data em que a PF enviou ao gabinete o pedido para deflagrar a operação.
O senador pediu a reunião para explicar sua relação com o banqueiro Daniel Vorcaro e com Augusto Lima, ex-sócio do Banco Master; para o ministro, o episódio agravou os riscos de vazamento de informações sigilosas.
Mensagens e documentos analisados pela PF também indicam que a negociação de um apartamento de R$ 2,5 milhões para Wagner continuou após a prisão de Vorcaro, em novembro de 2025. Em entrevista à Rádio Baiana FM na sexta-feira (31), o senador disse ter “certeza de que vai provar a sua inocência” e afirmou: “Eu sei o que eu fiz e estou tranquilo”.