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Abdul El-Sayed pode se tornar o primeiro senador muçulmano da história dos EUA após vencer prévias

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Abdul El-Sayed pode se tornar o primeiro senador muçulmano da história dos EUA após vencer prévias

Abdul El-Sayed deu um passo histórico na política americana ao vencer as prévias do Partido Democrata para o Senado em Michigan. Se derrotar o republicano Mike Rogers nas eleições de novembro, ele se tornará o primeiro muçulmano eleito para o Senado dos Estados Unidos.

Médico e ex-diretor de Saúde Pública de Detroit, El-Sayed derrotou a deputada federal Haley Stevens, candidata apoiada pelo establishment democrata, apesar de enfrentar uma avalanche de cerca de US$ 65 milhões em gastos externos contra sua campanha.

A vitória consolida o avanço da ala progressista do Partido Democrata em um dos estados mais disputados do país. A corrida de novembro é considerada decisiva para o controle do Senado, atualmente dominado pelos republicanos.

Stevens recebeu o apoio da governadora Gretchen Whitmer e do senador Gary Peters, que decidiu não disputar um novo mandato. Após a derrota, ela reconheceu o resultado e declarou apoio a El-Sayed, defendendo a união dos democratas para enfrentar Mike Rogers.

El-Sayed afirmou que seu principal objetivo agora é reunir o partido.

“Há muito trabalho de reconciliação depois de uma disputa tão acirrada. Nosso movimento é amplo e queremos unir todos para vencer em novembro”, declarou.

Money out of politics.
Money in your pocket.
Medicare for All.

Michigan…

We won. I am so proud to be your Democratic nominee for US Senate. Let’s win in November. pic.twitter.com/RItVmqrzob

— Dr. Abdul El-Sayed (@AbdulElSayed) August 5, 2026

Campanha progressista

Filho de imigrantes egípcios e muçulmano praticante, El-Sayed construiu sua campanha defendendo o sistema público universal de saúde (“Medicare for All”), o combate à influência do dinheiro corporativo na política e uma postura crítica ao apoio dos Estados Unidos a Israel.

Ele também acusou Israel de cometer genocídio contra os palestinos na Faixa de Gaza, posição que encontrou forte ressonância em Michigan, estado que abriga uma das maiores comunidades árabes e muçulmanas dos Estados Unidos.

Durante a campanha, recebeu o apoio de figuras de destaque da esquerda americana, como Bernie Sanders e Alexandria Ocasio-Cortez, além do sindicato United Auto Workers (UAW), um dos mais influentes do estado.

Outro tema central foi a crítica ao financiamento de Haley Stevens por grandes grupos de interesse. El-Sayed atacou especialmente os mais de US$ 30 milhões investidos por uma organização ligada ao lobby pró-Israel AIPAC em favor da adversária.

Segundo a empresa AdImpact, Stevens e seus aliados gastaram quase nove vezes mais em publicidade do que El-Sayed e seus apoiadores.

Trump comemora adversário

O presidente Donald Trump, que apoiou Mike Rogers nas prévias republicanas, afirmou acreditar que o republicano terá mais facilidade para derrotar El-Sayed do que teria contra Haley Stevens.

Em entrevista à Fox News, Trump voltou a atacar candidatos identificados com a esquerda, afirmando que políticos apoiados por socialistas “arruinarão o país”.

Embora tenha recebido apoio de Bernie Sanders e Alexandria Ocasio-Cortez, El-Sayed afirma não integrar oficialmente a organização Democratic Socialists of America (DSA).

A eleição de novembro poderá entrar para a história da política americana. Além de decidir uma cadeira crucial para o equilíbrio de forças no Senado, poderá levar, pela primeira vez, um muçulmano ao cargo de senador dos Estados Unidos.

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