O senador Flávio Bolsonaro (PL) enfrenta críticas de lideranças do próprio partido pela condução centralizada de sua campanha, em um movimento que tem afastado aliados do presidenciável e ampliado a irritação interna.
A principal queixa dentro do PL é que Flávio ouve poucas pessoas e decide praticamente tudo com um núcleo restrito. Até Valdemar Costa Neto, presidente nacional do partido, tem ficado à margem das costuras de alianças.
A articulação política da campanha ficou a cargo de Rogério Marinho, coordenador do projeto eleitoral e também alvo de reclamações. Integrantes do PL avaliam que ele não tem conseguido conduzir as conversas necessárias em meio à crise interna.
Presidentes de siglas do centrão relataram a membros do PL dificuldade para falar com Marinho. A avaliação entre críticos é que o coordenador tem sido “inábil” na negociação de alianças neste momento da campanha.
Escolhas para a campanha ampliam incômodo no PL
A preferência de Flávio pela ex-presidente da Caixa Daniella Marques como seu “posto Ipiranga” e nome favorito para compor a chapa como vice também enfrenta resistência no partido.
Mesmo com elogios ao perfil técnico de Daniella, dirigentes avaliam que ela não acrescenta votos à chapa. A crítica mira menos a trajetória da ex-presidente da Caixa e mais o cálculo eleitoral feito pelo grupo do senador.
Outro foco de desgaste é Eduardo Fischer, consultor estratégico da pré-campanha. A falta de experiência política do publicitário aparece entre os principais incômodos citados por aliados do presidenciável.
Um aliado do senador resumiu o clima interno com uma crítica direta ao entorno de Flávio: “Só tem professor de Deus ao lado de Flávio. A postura prepotente está deixando ele e a campanha em situação crítica”.
A preocupação no PL também chegou aos palanques estaduais. Lideranças do partido temem que o isolamento da campanha nacional comprometa acordos regionais considerados necessários para sustentar a candidatura.
Um dos cenários que mais preocupa envolve a federação formada por PP e União Brasil. A possibilidade de o bloco seguir a posição nacional e preferir a neutralidade, em vez de apoiar o PL no Rio de Janeiro, entrou no radar das lideranças da legenda.