A pré-candidatura independente do deputado federal Ricardo Salles (Novo) ao Senado por São Paulo abriu uma disputa na extrema-direita com o presidente da Alesp, André do Prado (PL), nome da chapa apoiada pelo governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) e pela família Bolsonaro. Ex-ministro do Meio Ambiente de Jair Bolsonaro, Salles passou a atacar Prado e questionar sua identificação com o bolsonarismo.
Em pesquisa Quaest de intenção de voto para o Senado, Salles e Prado ficaram tecnicamente empatados. Os dois apareceram atrás de Marina Silva (Rede) e Simone Tebet (PSB), integrantes da chapa de Fernando Haddad (PT), além de Pablo Marçal (União Brasil), que está inelegível, e do deputado federal Guilherme Derrite (PP), parceiro de Prado na chapa.
Na convenção estadual do PP e do União Brasil, realizada no dia 20, Derrite evitou confrontar Salles e afirmou que mantém amizade com o ex-ministro. “Se tivéssemos só dois candidatos da direita, teríamos mais chance de fazer as duas cadeiras [no Senado]. Agora, ele tem o direito de concorrer, e eu não vejo o Ricardo Salles como um adversário político. Nunca foi e não vai ser agora”, disse.
André do Prado demonstrou desconforto ao responder sobre a candidatura de Salles no mesmo evento. Ele disse que Salles deveria lidar com a situação, pois ele e Derrite receberam a escolha de Tarcísio e da família Bolsonaro. Prado deixou a convenção antes dos discursos de Tarcísio e do presidenciável Flávio Bolsonaro (PL); sua assessoria informou que ele seguiu para Osasco, onde participou do lançamento da pré-candidatura de Rogério Lins (Podemos) a deputado estadual.
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— Ricardo Salles (@rsallesmma) August 6, 2026
Representações no TRE-SP envolvem ataques de Salles
Salles acusa Prado de integrar o Centrão. No começo do mês, o Ministério Público Eleitoral pediu a impugnação da candidatura do deputado federal por pendências documentais relacionadas a certidões da Justiça Estadual. Ao explicar o caso em vídeo, Salles disse que o processo tratava de uma motociata com Jair Bolsonaro em 2022 e provocou o rival: “Aliás, eu não vi o André do Prado na motociata, acho que ele não é tão bolsonarista como quer fingir que é hoje em dia…”
O Tribunal Regional Eleitoral de São Paulo condenou Salles, em representação movida pelo PL, a pagar R$ 10 mil em multas por impulsionar no Instagram um vídeo contra Prado. A decisão apontou uso de imagens manipuladas sem identificação e propaganda eleitoral negativa irregular durante a pré-campanha. O deputado informou que recorreu.
Em outra representação, apresentada pelo próprio André do Prado, a acusação envolve um perfil identificado como apoiador de Salles que publicou vídeo para desestimular votos no presidente da Alesp. Salles negou conhecer o criador ou administrador da conta e sustentou que suas postagens diziam “nada mais” do que a verdade, ao chamar o adversário de “centrão raiz, cria do Valdemar da Costa Neto”.
O descompasso também apareceu na convenção do PL que lançou Flávio Bolsonaro à Presidência: um apoiador reagiu com um muxoxo ao discurso de Prado e disse que votaria em Derrite e Salles. No debate da Band para o governo paulista, no último domingo (9), Derrite sentou-se perto do prefeito Ricardo Nunes (MDB), enquanto Prado ficou em outra parte do estúdio.