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Banco ligado a Edir Macedo entra em investigação por rombo milionário

Por Expresso Rio · 18 de Maio de 2026 · 14:04 ·4 min de leitura
Banco ligado a Edir Macedo entra em investigação por rombo milionário
Imagem: Reprodução

O Banco Digimais, instituição financeira ligada ao empresário e líder religioso Edir Macedo, passou a ser alvo de uma investigação que apura suspeitas de manobras financeiras utilizadas para esconder prejuízos milionários em balanços contábeis. Segundo informações reveladas pelo jornal O Estado de S. Paulo, documentos, contratos e auditorias indicam que o banco teria utilizado fundos de investimento para retirar carteiras de crédito inadimplentes de suas demonstrações financeiras.

A apuração aponta que a estratégia teria permitido ao banco melhorar artificialmente seus resultados perante o mercado financeiro. Mesmo diante das suspeitas, a instituição declarou lucro de R$ 31 milhões ao final de 2025.

De acordo com a reportagem, a Polícia Federal acompanha operações consideradas suspeitas envolvendo a transferência de créditos vencidos para fundos ligados à própria estrutura financeira do banco. Conforme a investigação, ao menos R$ 480 milhões em créditos inadimplentes teriam deixado de aparecer diretamente no balanço oficial da instituição.

Especialistas do setor financeiro classificaram o modelo utilizado como uma operação conhecida no mercado como “Zé com Zé”. Na prática, segundo analistas ouvidos pelo Estadão, o banco vende ativos problemáticos para fundos nos quais ele próprio mantém participação, retirando os prejuízos aparentes do balanço sem eliminar efetivamente os riscos financeiros.

Segundo a publicação, auditores e agentes do mercado passaram a tratar o caso como um “sinal vermelho forte” para investidores e órgãos de fiscalização.

Procurados pela reportagem original, o Banco Digimais e representantes ligados à Igreja Universal do Reino de Deus não comentaram as acusações até a publicação do material.

Um dos fundos citados na investigação é o fundo Tabor, responsável pela compra de carteiras de financiamento de veículos originadas pelo Digimais. Segundo documentos analisados pela reportagem, o fundo possuía em abril de 2026 cerca de R$ 960 milhões em créditos, sendo aproximadamente R$ 575 milhões inadimplentes.

O perito contábil Alexandre Ripamonti afirmou ao Estadão que o cenário é considerado extremamente delicado. Segundo ele, fundos estruturados dessa maneira normalmente caminham para encerramento quando os índices de inadimplência atingem patamares tão elevados.

Já o analista Gabriel Uarian destacou que a transferência agressiva de créditos problemáticos para fundos não costuma ser comum em bancos considerados sólidos financeiramente.

A principal atuação do Digimais ocorre no financiamento de veículos. Conforme relatos citados na investigação, vendedores credenciados afirmaram que a instituição aprovava financiamentos para clientes altamente endividados e para automóveis antigos, considerados de maior risco.

Segundo dados do Banco Central mencionados pela reportagem, o banco chegou a operar uma das taxas mais elevadas do mercado no segmento em dezembro de 2025, cobrando juros de 2,97% ao mês e 41,07% ao ano.

Outro ponto considerado sensível envolve auditorias que teriam encontrado dificuldades para verificar aproximadamente R$ 3 bilhões aplicados em fundos ligados à estrutura financeira do banco. Segundo os auditores, houve limitação de acesso a documentos considerados essenciais para validação das operações.

O valor representa cerca de 75% dos investimentos realizados pela instituição nesses ativos, segundo a apuração publicada pelo Estadão.

As auditorias também registraram ressalvas envolvendo uma holding ligada a Edir Macedo que adquiriu R$ 741 milhões em cotas de um fundo chamado Hermon. Os documentos apontam dúvidas sobre as condições em que a negociação teria ocorrido.

Em meio à crise financeira e ao avanço das investigações, o Digimais entrou em processo de venda. O BTG Pactual confirmou ao Estadão que assinou documentos vinculantes relacionados a uma possível aquisição da instituição.

Segundo o banco, o principal interesse estaria concentrado na carteira de clientes do Digimais. A operação ainda depende de etapas adicionais, incluindo mecanismos financeiros de proteção e eventual participação do Fundo Garantidor de Créditos (FGC).

O caso amplia a pressão sobre o mercado financeiro e pode provocar repercussões relevantes entre investidores, órgãos reguladores e instituições que acompanham a saúde financeira de bancos médios no Brasil.

 

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