Uma reportagem exibida pelo canal argentino TN (Todo Noticias) ganhou repercussão nas redes sociais ao comparar os preços de produtos de supermercado e o custo de vida no Brasil, Argentina, Chile e Uruguai. A análise destacou diferenças entre os quatro países e chamou atenção pelo contraste dos valores encontrados no mercado brasileiro.
Durante a transmissão, a apresentadora resumiu o levantamento afirmando que “tudo no Brasil é a metade do preço e, em alguns casos, um terço”. A declaração foi feita após a comparação de itens da cesta básica e de produtos de consumo cotidiano comercializados nos países analisados.
Segundo a reportagem, os produtos avaliados apresentavam preços significativamente menores no Brasil em relação aos mercados dos países vizinhos. O vídeo rapidamente passou a circular nas redes sociais e ampliou o debate sobre custo de vida e poder de compra na América do Sul.
O TN é o maior canal de notícias por assinatura da Argentina e pertence ao Grupo Clarín. A emissora costuma produzir reportagens sobre inflação, câmbio e consumo, utilizando comparações entre países da região para medir o impacto das variações econômicas sobre o bolso da população.
E a TV da Argentina que resolveu comparar os preços de produtos do Brasil, Chile, Uruguai e Argentina: “Tudo no Brasil é a metade do preço e em alguns casos um terço”, afirma o canal. pic.twitter.com/dN4QglUdRy
— GugaNoblat (@GugaNoblat) August 2, 2026
A divulgação da reportagem ocorreu em meio à continuidade da inflação elevada na Argentina. De acordo com o Instituto Nacional de Estatísticas e Censos (Indec), o Índice de Preços ao Consumidor (IPC) avançou 2,9% em fevereiro de 2026, mantendo o índice no maior patamar em quase um ano e acima das expectativas do mercado.
No acumulado de 12 meses até fevereiro, a inflação oficial argentina chegou a 33,1%, acima dos 32,4% registrados no mês anterior. No primeiro bimestre de 2026, a alta acumulada foi de 5,9%. Entre os grupos com maior aumento apareceram habitação, água, eletricidade, gás e outros combustíveis, com 6,8%, além de alimentos e bebidas não alcoólicas, com 3,3%.
Após a divulgação dos dados, o ministro da Economia, Luis Caputo, afirmou nas redes sociais que o país ainda atravessa um processo de “correção de preços relativos” após “mais de duas décadas de acumular distorções”. Segundo o ministro, o equilíbrio fiscal, o controle da quantidade de dinheiro em circulação e o fortalecimento do Banco Central seguem como prioridades do programa econômico.
Desde que assumiu a Presidência, em dezembro de 2023, Javier Milei adotou um programa de ajuste econômico com redução de gastos públicos, suspensão de obras federais, interrupção de repasses às províncias e retirada de subsídios sobre serviços como água, energia, gás e transporte.
Enquanto o governo sustenta que as medidas são necessárias para reorganizar a economia, os dados mais recentes mostram que a inflação continua acima da meta defendida pelo presidente, que voltou a afirmar nos últimos dias que o índice poderá caminhar para zero nos próximos meses.