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Política

TSE veta pesquisas Veritá em 13 estados e no DF por “falhas”

3 min de leitura Expresso Rio
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TSE veta pesquisas Veritá em 13 estados e no DF por “falhas”
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O Instituto Veritá teve pesquisas eleitorais proibidas em 13 estados e no Distrito Federal neste ano, após decisões que apontaram irregularidades técnicas, falhas de transparência e, em um dos casos, indícios de duplicação em série de dados. A empresa foi a responsável pelo maior número de levantamentos registrados nas eleições de 2022.

Os Tribunais Regionais Eleitorais do Rio Grande do Norte e de Sergipe suspenderam recentemente pesquisas sobre governo e Senado. Nos dois casos, as decisões identificaram uma representação de eleitores ricos e com ensino superior muito acima dos índices informados pelo TSE e pela Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua.

Em Sergipe, a amostra do Veritá indicou 31,1% de entrevistados com ensino superior completo ou incompleto, enquanto a PNAD Contínua apontava 19,2% e o cadastro eleitoral do TSE registrava 12,82% do eleitorado com esse grau de instrução. O TRE sergipano suspendeu a divulgação de uma pesquisa registrada pelo instituto.

No Rio Grande do Norte, o levantamento reuniu 34% de eleitores com ensino superior, ante 13,73% no cadastro do TSE, e apontou 25% de entrevistados na faixa de maior renda. O tribunal também fixou multa superior a R$ 58 mil por reincidência, pois já havia barrado outras pesquisas do instituto no estado pelas mesmas falhas.

Decisões apontaram falta de transparência e distorções na coleta

As pesquisas do Veritá são feitas por telefone, mas decisões no Piauí, Amazonas e Pernambuco questionaram a ausência de detalhamento sobre a geração, a seleção e a abordagem dos contatos. Na Paraíba, a Justiça Eleitoral apontou que o instituto registrou uma metodologia inicialmente genérica e não explicou como selecionava os números, evitava duplicidades ou confirmava o domicílio eleitoral dos entrevistados.

No Espírito Santo, uma pesquisa concentrou 42,13% das entrevistas em Vitória, cidade que reúne 8,89% do eleitorado estadual. Serra e Vila Velha, os dois maiores colégios eleitorais capixabas, não receberam entrevistas. O jurista Hélio João Pepe de Moraes escreveu que “a concentração de quase metade da amostra na Capital não é obra da aleatoriedade, mas decorrência de escolha no desenho da coleta”.

No Amazonas, uma análise forense contratada pelo PSD identificou cerca de 380 pares consecutivos de linhas idênticas nos 28 campos de uma planilha pública do Veritá. O material indicava que 62% das 1.220 entrevistas declaradas continham dados duplicados em série, com as mesmas respostas para 23 perguntas. A relatora Maria Auxiliadora dos Santos Benigno considerou o padrão incompatível com entrevistas independentes.

O instituto também enfrentou suspensões por questionários considerados indutivos e pela inclusão de candidaturas inviáveis. No Distrito Federal, a Justiça suspendeu uma pesquisa após perguntas sobre denúncias contra a governadora Celina Leão prepararem o entrevistado para uma avaliação negativa. O proprietário do Veritá, Adriano Silvoni, afirmou que o instituto tem “metodologia sólida, testada e previsões precisas” e disse: “No final agente mostra e acerta”.

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