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Tarifas: Trump orienta acordo com Brasil, mas Pix fica fora

Após conversa entre Lula e Trump, governos retomam negociações técnicas sobre as tarifas impostas aos produtos brasileiros; Brasília afirma que não aceitará discutir o Pix

Por 5 min de leitura Expresso Rio
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As negociações sobre as tarifas impostas pelos Estados Unidos a produtos brasileiros entraram em uma nova fase nesta segunda-feira (31), depois de uma conversa por telefone entre os presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e Donald Trump. Segundo o ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Márcio Elias Rosa, o representante comercial americano, Jamieson Greer, informou que Trump orientou a equipe dos Estados Unidos a trabalhar pela construção de um acordo com o Brasil.

A reunião virtual contou com a participação de Elias Rosa, do ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, e de representantes técnicos dos dois governos. O encontro marcou a retomada formal do diálogo comercial, embora, segundo os relatos apresentados após a reunião, ainda não tenham sido anunciadas concessões concretas ou um acordo fechado.

O movimento é considerado relevante porque recoloca os dois países à mesa em meio à aplicação das tarifas americanas. O governo brasileiro, por sua vez, mantém a posição de que as medidas são injustas e discriminatórias e afirma que continuará defendendo seus interesses nas próximas rodadas de negociação.

De acordo com Márcio Elias Rosa, a principal mudança foi política. Segundo o ministro, a orientação transmitida pela representação comercial americana indica disposição de Washington para buscar uma solução negociada.

“Há um compromisso político que foi reiterado de fazer um acordo e há o reconhecimento de que estamos diante de um novo cenário”, afirmou o ministro após a reunião, segundo relatos da imprensa.

A retomada, entretanto, não significa que os países já tenham chegado a um entendimento sobre as tarifas. As próximas etapas serão conduzidas principalmente pelas equipes técnicas, que deverão discutir os pontos de divergência e possíveis caminhos para uma solução comercial.

O governo brasileiro também afirma que não apresentou uma nova concessão como condição para que os Estados Unidos voltassem à mesa. A estratégia de Brasília é manter o diálogo aberto enquanto defende a retirada ou revisão das medidas que considera prejudiciais ao comércio bilateral.

Um dos pontos mais sensíveis das conversas é o Pix, sistema brasileiro de pagamentos instantâneos.

O governo brasileiro afirma que não pretende negociar o funcionamento do sistema como parte de um eventual acordo comercial com os Estados Unidos.

“O Pix é um patrimônio do Brasil, mais de 80% dos brasileiros usam Pix. Não há a possibilidade de negociarmos o Pix”, declarou Márcio Elias Rosa, reforçando a posição apresentada pelo governo durante as conversas.

A posição significa que, embora o Brasil esteja disposto a discutir questões comerciais com Washington, o funcionamento do sistema de pagamentos brasileiro permanece fora das concessões que podem ser negociadas.

O tema havia aparecido entre os assuntos questionados pelos Estados Unidos no contexto das discussões comerciais, juntamente com outros pontos relacionados à política econômica e comercial brasileira.

Com a retomada do diálogo político, o próximo passo será aprofundar as discussões entre os técnicos dos dois países.

A expectativa é que novas reuniões ocorram nas próximas semanas, com participação de representantes do governo brasileiro e do Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR). Segundo informações divulgadas após o encontro desta segunda-feira, também estão previstos novos contatos em nível ministerial.

O objetivo será identificar pontos de convergência e avaliar alternativas para reduzir as divergências comerciais. Entre as questões que continuam sendo discutidas estão as tarifas aplicadas pelos Estados Unidos e outros temas apresentados por Washington no âmbito das investigações comerciais.

Até o momento, portanto, o que existe é uma retomada das negociações e não um acordo concluído.

Durante a reunião, os representantes brasileiros voltaram a contestar as justificativas utilizadas pelos Estados Unidos para a adoção das tarifas.

Em nota divulgada após o encontro, o governo brasileiro classificou o tratamento dado ao país como injusto e afirmou que as justificativas apresentadas nas investigações americanas não correspondem às práticas efetivamente adotadas pelo Brasil.

A posição indica que a disposição para negociar não significa, neste momento, abandono das críticas feitas por Brasília às medidas americanas.

O governo Lula busca, portanto, conciliar duas frentes: manter aberto o canal diplomático com Washington e, simultaneamente, preservar posições consideradas estratégicas para o país.

A partir da retomada das conversas, as equipes técnicas brasileiras e americanas deverão trabalhar na construção de possíveis bases para um entendimento.

Ainda não há confirmação de quais produtos, tarifas ou setores poderão ser incluídos em eventual acordo. Também não foi anunciado um resultado definitivo que determine o fim das tarifas atualmente aplicadas.

Para o Brasil, a retomada do diálogo representa uma oportunidade de buscar uma solução negociada sem abrir mão das questões consideradas inegociáveis pelo governo, entre elas o funcionamento do Pix.

O resultado das próximas rodadas deverá indicar se o novo cenário político mencionado pelo ministro Márcio Elias Rosa será capaz de produzir avanços concretos. Por enquanto, Brasil e Estados Unidos voltaram à mesa de negociação, mas o acordo ainda precisa ser construído.

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