A prisão do deputado estadual Thiago Rangel (Avante) provocou uma mudança importante no cenário político da Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj). Com a decisão da Casa de desmontar o gabinete parlamentar do deputado e convocar o suplente Wellington José para assumir o mandato, a Federação União Progressista passou a ocupar isoladamente o posto de segunda maior bancada do Legislativo fluminense.
A alteração muda diretamente a correlação de forças no parlamento estadual e impacta principalmente o PSD, partido ligado ao ex-prefeito do Rio de Janeiro e pré-candidato ao governo do estado, Eduardo Paes.
Até a mudança envolvendo Thiago Rangel, PSD e Federação União Progressista estavam empatados com nove deputados estaduais cada na Alerj.
Com a entrada de Wellington José, filiado recentemente ao União Brasil, a federação passou a contar com uma cadeira a mais, assumindo sozinha a segunda maior bancada da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro.
Segundo informações da própria Alerj, a mudança ocorre após a convocação oficial do suplente para substituir Thiago Rangel, que foi preso pela Polícia Federal no último dia 5.
De acordo com a investigação conduzida pela Polícia Federal, Thiago Rangel é acusado de participação em um suposto esquema de fraudes envolvendo obras em escolas da rede estadual de Educação.
O parlamentar foi alvo de operação federal e acabou preso preventivamente. Até o momento, a defesa do deputado não teve condenação definitiva no caso.
A decisão da Alerj de desmontar o gabinete parlamentar abriu caminho para a convocação do suplente Wellington José.
Curiosamente, Thiago Rangel e Wellington José disputaram as eleições de 2022 pelo Podemos, mas ambos deixaram posteriormente a legenda.
Wellington chegou a disputar uma vaga para vereador do Rio de Janeiro em 2024, mas não conseguiu se eleger. Recentemente, porém, oficializou filiação ao União Brasil, fortalecendo a Federação União Progressista dentro da Assembleia.
A nova configuração política da Alerj pode gerar reflexos importantes na distribuição de poder interno da Casa.
O número de parlamentares em cada bancada influencia diretamente na composição das comissões permanentes, colegiados considerados estratégicos para análise de projetos, investigações e votações importantes.
Entre os grupos mais relevantes estão as comissões de Constituição e Justiça, Orçamento, Educação, Saúde e Transportes.
Com a mudança, a Federação União Progressista amplia espaço político e capacidade de articulação dentro do parlamento fluminense.
Nos bastidores da política do Rio de Janeiro, a alteração já é vista como um movimento com potencial de impacto no cenário pré-eleitoral de 2026.
Enquanto isso, o caso envolvendo Thiago Rangel segue em investigação pelas autoridades federais.