O Supremo Tribunal Federal (STF) abriu inquérito para apurar se o senador Weverton Rocha (PDT-MA) tentou atrapalhar a investigação do assassinato do empresário João Bosco Sobrinho, ocorrido em 2022 no Maranhão. A suspeita envolve uma possível influência sobre o ministro Humberto Martins, do Superior Tribunal de Justiça.
A Polícia Federal encontrou no celular do parlamentar comunicações diretas e reiteradas com Humberto Martins entre 25 de janeiro de 2023 e 4 de outubro de 2025. Os contatos incluíam mensagens, áudios, telefonemas e compartilhamento de mídias, conforme análise da corporação.
Um dos contatos ocorreu em 2 de junho de 2025, na data em que o ministro determinou a transferência de Gilbson Cutrim Soares Júnior para a Penitenciária Federal de Brasília. Condenado a 13 anos pela morte de João Bosco, Gilbson Júnior passou a colaborar com as apurações e alegou risco de permanecer preso no Maranhão.
Humberto Martins relatava o caso no STJ porque a investigação passou a citar Daniel Brandão, sobrinho do governador Carlos Brandão e atual presidente do Tribunal de Contas do Estado do Maranhão. Por tramitar sob sigilo, o ministro declarou que não comentaria o processo. Ele não figura como alvo do inquérito no STF.
PF apura suspeitas de coação e ocultação de envolvidos
A investigação federal apura se Weverton atuou com outros investigados para impedir que as apurações alcançassem aliados e familiares de Carlos Brandão. A Polícia Civil maranhense inicialmente atribuiu o crime a um desentendimento pessoal entre Gilbson Júnior e a vítima, mas a PF passou a considerar a hipótese de conflito relacionado à divisão de propinas no estado.
As apurações indicam que Daniel Brandão teria participado de uma reunião em que ocorreu o desentendimento que antecedeu o assassinato. A PF sustenta que a investigação inicial não registrou essa informação, que posteriormente levou o caso da Justiça estadual ao STJ por causa do foro especial de integrante do TCE-MA.
O inquérito também investiga Raimundo Cutrim, ex-secretário do Maranhão e aliado de Carlos Brandão, que cumpre prisão domiciliar no caso. Nesta semana, Alexandre de Moraes autorizou uma operação de busca e apreensão contra ele, após pedido da PF.
Segundo a PF, Raimundo Cutrim teria entregue cerca de R$ 160 mil em dinheiro a familiares de Gilbson Júnior para alterar depoimentos. O valor teria sido dividido em parcelas de R$ 80 mil, R$ 50 mil e R$ 30 mil, entregues em um imóvel ligado ao ex-secretário no bairro Vinhais, em São Luís.
Uma gravação apresentada pela defesa de Gilbson Júnior registra uma conversa na qual Raimundo Cutrim teria oferecido “vantagens, dinheiro e casas” para retirar o nome de Daniel Brandão e de integrantes da família Brandão dos depoimentos. A PF aponta a existência de um suposto esquema envolvendo corrupção, desvios de emendas parlamentares, coação de testemunhas e obstrução de Justiça no Maranhão.
O processo chegou ao STF após a defesa de Gilbson Júnior levantar suspeitas contra Weverton Rocha, que tem foro na Corte por ser senador. Flávio Dino recebeu a relatoria, e o ministro André Mendonça compartilhou com ele dados extraídos do celular apreendido de Weverton na investigação Sem Desconto, sobre fraudes no INSS.




