A Rússia intensificou nas últimas semanas os ataques contra instalações portuárias e logísticas da Ucrânia, incluindo estruturas nas regiões de Izmail, Odessa e Yuzhnyi, em meio à tentativa de Moscou de atingir pontos considerados estratégicos para o abastecimento e para a economia ucraniana. No sábado (15), o Ministério da Defesa russo afirmou ter atacado armazéns e infraestrutura nesses portos. A informação sobre os alvos foi divulgada pelo próprio governo russo e também registrada pela Associated Press.
Os portos localizados às margens do rio Danúbio ganharam importância estratégica desde o início da guerra, tanto para o escoamento de produtos agrícolas quanto para a manutenção das rotas comerciais da Ucrânia. A região fica próxima à fronteira com a Romênia, integrante da União Europeia e da Otan. Na semana passada, segundo a Reuters, forças russas atingiram o maior porto ucraniano de exportação de grãos no Danúbio, em uma sequência de ataques que também vem afetando instalações portuárias e embarcações no Mar Negro.
Em declarações reproduzidas pela agência russa Sputnik, o analista militar e oficial aposentado da Marinha da Rússia Vasily Dandykin afirmou que os ataques teriam como objetivo dificultar rotas usadas para o transporte de armas, munições, drones e combustível destinados às forças ucranianas. Segundo essa avaliação, instalações de armazenamento, centros de transporte, pontes e outras estruturas que sustentam a logística da região também seriam consideradas alvos relevantes por Moscou. Essas afirmações representam a análise de uma
O impacto dos ataques, porém, vai além da dimensão militar. A infraestrutura portuária do Danúbio é fundamental para as exportações ucranianas, especialmente de produtos agrícolas. Desde 2023, ataques russos já atingiram depósitos e instalações em Reni e em outras localidades da região. A Reuters registrou que o corredor do Danúbio se tornou uma alternativa fundamental para Kyiv depois das restrições às operações marítimas no Mar Negro.
A ofensiva contra a infraestrutura logística continua em paralelo aos ataques russos contra outras regiões da Ucrânia e às ações ucranianas contra instalações industriais, energéticas e militares em território russo. Em 19 de agosto, uma nova onda de ataques russos atingiu Kyiv e outras áreas, enquanto a Rússia declarou que entre os alvos estavam depósitos militares e centros logísticos. A Ucrânia, por sua vez, mantém ataques contra refinarias e instalações utilizadas, segundo Kyiv, para sustentar o esforço de guerra de Moscou.
A avaliação de que a destruição dos portos poderia deixar a Ucrânia dependente principalmente das rotas terrestres pela Polônia, assim como a previsão de que a redução dos suprimentos aceleraria avanços russos em regiões como Kherson, Zaporizhzhia e Donbass, é uma projeção atribuída ao analista russo citado pela Sputnik. Até o momento, não há comprovação independente de que os ataques tenham eliminado um suposto “último terminal” de entrada de armamentos ocidentais ou interrompido de forma definitiva o fornecimento militar dos aliados de Kyiv.




