O endurecimento do discurso de Javier Milei contra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes, durante um evento do PL em São Paulo, provocou uma onda de críticas da oposição argentina. Lideranças ligadas ao peronismo acusaram o presidente de colocar em risco a relação estratégica entre Argentina e Brasil e afirmaram que ele não representa o sentimento do povo argentino.
Entre os primeiros a reagir esteve o governador da província de Buenos Aires, Axel Kicillof. Ele entrou em contato com o chanceler brasileiro, Mauro Vieira, para transmitir o recado que “Milei não representa o sentimento do povo argentino”.
Também se manifestou o Partido Justicialista (PJ), presidido por Cristina Kirchner, que classificou como “inadmissíveis” os ataques de Milei ao presidente brasileiro e às autoridades do país.
Em nota publicada nas redes sociais, o partido afirmou:
“Os insultos de Milei contra Lula e as autoridades do Brasil são uma vergonha para a história da integração regional e inadmissíveis na boca de um presidente da Nação. O Brasil não é apenas um povo irmão; é o principal parceiro comercial do nosso país e um ator estratégico para o nosso desenvolvimento.”
A legenda ainda afirmou que a política externa do atual governo vive “a página mais negra das relações bilaterais com o povo irmão brasileiro”.
Los insultos de Milei contra Lula y las autoridades de Brasil son una vergüenza para la historia de la integración regional e inadmisibles en la boca de un presidente de la nación.
Brasil no es solo un pueblo hermano, es el principal socio comercial de nuestro país y un actor…
— Partido Justicialista (@p_justicialista) July 26, 2026
Grupo de Sergio Massa também critica Milei
O Frente Renovador, partido liderado por Sergio Massa, também condenou as declarações de Milei e alertou para os impactos econômicos do conflito diplomático.
Segundo a legenda, “da relação com o Brasil dependem milhares de pequenas e médias empresas, indústrias e empregos argentinos”, ressaltando que Brasília continua sendo o principal parceiro comercial da Argentina.
Massa comentou que ficou satisfeito ao ver integrantes de sua equipe compreenderem a importância da integração produtiva entre os dois países.
O deputado Guillermo Michel afirmou que, além de ser um erro político interferir nas eleições brasileiras, atacar Lula é uma “grande estupidez”, lembrando que o Brasil responde por cerca de 14% das exportações argentinas.
Já a deputada Sabrina Selva destacou que milhares de empregos dependem da relação bilateral, enquanto o presidente do Frente Renovador, Diego Giuliano, criticou Milei por utilizar viagens internacionais para fazer campanha política em vez de defender os interesses nacionais.
INSULTAR NO ES GOBERNAR
Milei confunde el poder con un escenario. Ataca a la oposición, a los periodistas, a los artistas, a cualquiera que piense distinto. Descalificar es su forma de gobernar.
La Argentina no necesita un presidente que agreda. Necesita uno que gobierne. pic.twitter.com/PLpUfI7zhh
— Frente Renovador (@FrenteRenovador) July 27, 2026
Mais críticas ao presidente argentino
Diversos parlamentares e integrantes do governo da província de Buenos Aires também se uniram às críticas.
A deputada Jimena López afirmou que o futuro da Argentina depende da integração regional. O deputado Ramiro Gutiérrez disse que líderes verdadeiros aproximam os povos por meio do diálogo e do respeito.
O deputado Jorge “Koky” Araujo declarou que Brasil e Argentina são vizinhos, amigos e aliados estratégicos e acusou Milei de prejudicar o comércio bilateral por motivos pessoais.
O deputado provincial Alexis Guerrera afirmou que cada ataque de Milei não prejudica Lula, mas sim “a indústria, o comércio e os trabalhadores argentinos que dependem dessa relação”.
Também aderiram às críticas o ministro dos Transportes da Província de Buenos Aires, Martín Marinucci, a deputada Gabriela Lizana e o ex-ministro da Educação Nicolás Trotta, que definiu Lula como “um líder fundamental da América Latina e presidente do principal parceiro estratégico da Argentina”.
As manifestações refletem o crescente desconforto da oposição com a crise diplomática aberta por Milei após seus ataques ao presidente brasileiro e ao ministro Alexandre de Moraes, em um episódio que já provoca repercussões políticas e econômicas dos dois lados da fronteira.
La integración entre Argentina y Brasil no es una consigna: es una decisión estratégica para generar trabajo, producción y oportunidades. Con diálogo, sensibilidad social y la convicción de que el desarrollo solo tiene sentido cuando mejora la vida de la gente. @SergioMassa lo… pic.twitter.com/1dtRKtGDHC
— Martín Marinucci (@MartinMarinucci) July 26, 2026