A disputa interna pela presidência da Assembleia Legislativa do Rio (Alerj) ganhou novos contornos políticos nesta terça-feira (14), após deputados do PL acusarem o ex-prefeito do Rio, Eduardo Paes, de atuar nos bastidores, em Brasília, para influenciar o cenário eleitoral estadual.
Durante sessão no plenário, parlamentares da bancada do PL afirmaram que o pré-candidato ao governo estaria tentando enfraquecer a imagem da Alerj junto a autoridades federais, com o objetivo de favorecer seus interesses políticos. O líder do partido na Casa, Filippe Poubel, declarou que haveria uma articulação para “desgastar o parlamento” e abrir caminho para uma vitória indireta.
Segundo ele, o movimento envolveria estratégias jurídicas que poderiam retirar adversários da disputa, criando um cenário favorável ao ex-prefeito. Poubel ainda criticou o que classificou como tentativa de “demonização” da Assembleia em nível nacional.
Na mesma linha, o deputado Anderson Moraes relatou conversas em Brasília nas quais, segundo ele, parlamentares fluminenses estariam sendo retratados de forma negativa. Ele afirmou que há uma narrativa em construção que associa deputados a práticas ilegais, o que, na visão do PL, agrava o clima político.
Diante das críticas, Poubel afirmou que pretende reagir dentro do regimento da Casa, utilizando instrumentos legais para revisar projetos da oposição, descartando recorrer inicialmente a tribunais superiores.
Já o deputado Alexandre Knoploch alertou para o risco institucional, afirmando que ataques ao Legislativo poderiam comprometer o funcionamento da própria Assembleia e enfraquecer a democracia.
As acusações foram rebatidas pelo líder do PSD na Alerj, Luiz Paulo, que afirmou que a judicialização do tema não é recente. Segundo ele, desde 2025 já havia a intenção de recorrer à Justiça para discutir regras de uma possível eleição indireta em caso de vacância no governo.
O parlamentar explicou que mudanças no cenário político incluindo divergências sobre renúncia ou cassação geraram interpretações diferentes e decisões contraditórias dentro do processo legislativo. Isso, segundo ele, levou o partido a acionar o Supremo Tribunal Federal.
A discussão também envolveu outros parlamentares. O deputado Bruno Dauaire criticou o que chamou de incoerência no discurso político dentro da Casa, lembrando que votações anteriores para a presidência da Alerj ocorreram de forma unânime entre diferentes partidos.
Ele ainda citou o nome de Rodrigo Bacellar, afirmando que, mesmo diante de críticas atuais, sua eleição contou com apoio amplo, o que evidenciaria contradições no debate atual.


