A Polícia Federal deu início nesta segunda-feira (20) a uma operação nacional para reforçar a segurança dos candidatos à Presidência da República nas eleições de 2026. Com monitoramento em tempo real, inteligência e equipes especializadas, a corporação promete acompanhar ameaças físicas e digitais durante toda a campanha eleitoral.
A operação será coordenada pela nova Sala Nacional de Comando e Controle, instalada na sede da Polícia Federal, em Brasília. O centro acompanhará as agendas dos presidenciáveis em todo o país e atuará de forma integrada com as superintendências regionais da PF, os Tribunais Regionais Eleitorais (TREs) e as equipes de campanha.
A proteção será disponibilizada a partir da homologação das candidaturas nas convenções partidárias, que começaram nesta segunda-feira ,(20), desde que haja solicitação formal das campanhas. O uso da escolta é facultativo, e cada candidato poderá decidir se deseja ou não contar com o apoio da Polícia Federal.
Proteção física e monitoramento digital
Além da escolta presencial, a PF montou uma estrutura voltada ao monitoramento de ameaças virtuais que possam comprometer a segurança dos candidatos ou o processo eleitoral.
Entre as medidas previstas estão:
- análise permanente de riscos;
- monitoramento de ameaças físicas e cibernéticas;
- integração com órgãos de segurança, saúde e trânsito;
- apoio operacional em aeroportos;
- uso de tecnologias como reconhecimento facial, equipamentos antidrones e kits antibomba;
- varreduras preventivas nos locais de eventos de campanha
Segundo a corporação, ferramentas de inteligência artificial também serão monitoradas para identificar possíveis usos indevidos contra candidatos, partidos ou o processo eleitoral.
Equipes definidas conforme o nível de risco
A Diretoria de Proteção à Pessoa da Polícia Federal coordenará toda a operação. Cinco equipes já foram estruturadas.
Dos 13 pré-candidatos existentes até o momento, dez já passaram por avaliação técnica de risco. As classificações variam entre baixo, moderado, alto e muito alto risco. Os dois principais pré-candidatos receberam classificação de risco muito alto e deverão contar com equipes mais robustas.
Ao todo, cerca de 458 servidores atuarão diretamente na operação, entre agentes de proteção, inteligência, logística e chefes de equipe. Mais de 600 policiais federais participaram de treinamentos e cursos de aperfeiçoamento para atuar na proteção de autoridades e grandes eventos.
Coordenadores da segurança
Desde as eleições de 2022, os partidos podem indicar policiais federais para coordenar as equipes responsáveis pela segurança dos candidatos. A medida foi adotada após experiências em campanhas anteriores, quando houve casos de falta de confiança entre candidatos e equipes de proteção, dificultando o planejamento das agendas.
De acordo com a Polícia Federal, toda a atuação seguirá critérios técnicos, com imparcialidade e neutralidade político-partidária.
Flávio Bolsonaro abre mão da escolta da PF
Entre os pré-candidatos, o senador Flávio Bolsonaro (PL) informou que não utilizará a escolta oferecida pela Polícia Federal. Segundo sua assessoria, a segurança continuará sendo realizada pela Polícia do Senado Federal, responsável pela proteção do parlamentar há oito anos.
Nas redes sociais, Flávio afirmou que prefere que os policiais federais sejam destinados a outras atividades de investigação e também declarou não confiar na atual direção da corporação.
Em sentido contrário, outros presidenciáveis já informaram que pretendem utilizar o serviço.
Renan Santos (Missão) confirmou que solicitará escolta da Polícia Federal e afirmou que tem recebido ameaças de facções criminosas. A homologação antecipada de sua candidatura permitirá que a proteção seja utilizada desde o início da campanha.
Já Augusto Cury informou, por meio de sua assessoria, que aceitará normalmente o esquema de segurança disponibilizado pela PF, previsto na legislação eleitoral.
Lula terá esquema compartilhado
No caso do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), candidato à reeleição, a proteção continuará sendo realizada em modelo conjunto entre o Gabinete de Segurança Institucional (GSI) e a Polícia Federal, seguindo o padrão atualmente adotado para o chefe do Executivo federal.
Segundo a Polícia Federal, o objetivo da operação é garantir a integridade física dos candidatos, reduzir riscos durante a campanha e contribuir para a segurança do processo democrático em todo o país.




