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Petróleo dispara com tensão entre EUA e Irã e mercado teme impactos no abastecimento global

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Petróleo dispara com tensão entre EUA e Irã e mercado teme impactos no abastecimento global

Os preços internacionais do petróleo voltaram a subir com força nesta terça-feira (14), alcançando os maiores níveis em aproximadamente quatro semanas. A disparada foi provocada pelo aumento das tensões entre Estados Unidos e Irã, que reacendeu preocupações sobre possíveis interrupções no fornecimento global de energia e elevou o temor dos investidores quanto aos efeitos sobre a economia mundial.

Logo nas primeiras horas de negociação, o barril do petróleo Brent, referência para o mercado internacional, registrava alta de 4,48%, sendo negociado a US$ 87,03. Já o WTI (West Texas Intermediate), principal referência nos Estados Unidos, avançava 3,46%, cotado a US$ 80,84.

Com o movimento, o Brent atingiu seu maior valor desde 12 de junho, enquanto o WTI alcançou o patamar mais elevado desde 16 de junho, período anterior à assinatura de um memorando de entendimento entre Washington e Teerã que previa o encerramento das hostilidades.

Na segunda-feira (13), o mercado já havia reagido à deterioração do cenário geopolítico, quando os contratos do petróleo chegaram a registrar valorização próxima de 10%.

Escalada militar reacende preocupação dos investidores

O novo avanço das cotações ocorre após o governo do presidente Donald Trump restabelecer um bloqueio naval ao Irã e ampliar as operações militares contra o país, apesar do memorando firmado em junho entre as duas nações.

A retomada das tensões levou investidores a questionarem a viabilidade do acordo diplomático, aumentando a percepção de risco para o mercado internacional de petróleo.

Na avaliação de analistas, o receio central é que o conflito comprometa o transporte de petróleo pelo Estreito de Ormuz, considerado uma das rotas marítimas mais estratégicas para o abastecimento energético global.

Estreito de Ormuz concentra parte do petróleo mundial

O Estreito de Ormuz liga o Golfo Pérsico ao Golfo de Omã e funciona como principal corredor de exportação para produtores do Oriente Médio.

Antes da atual escalada, aproximadamente 20% de todo o petróleo e do gás natural liquefeito comercializados no mundo passavam diariamente pela região.

Nas últimas semanas, diversos episódios elevaram o nível de preocupação do mercado:

  • Os Estados Unidos retomaram o bloqueio à navegação iraniana;
  • O governo americano propôs a cobrança de uma taxa de 20% para garantir a proteção de embarcações que cruzam o estreito;
  • Dois navios-tanque dos Emirados Árabes Unidos foram atingidos por mísseis iranianos, deixando um tripulante morto e oito feridos;
  • O número de petroleiros que atravessam o Estreito de Ormuz caiu ao menor patamar dos últimos dois meses.

Segundo analistas do banco ANZ, caso as interrupções persistam, o barril de petróleo poderá permanecer na faixa entre US$ 85 e US$ 90 nas próximas semanas.

Alta do petróleo pode pressionar inflação

O aumento do preço do petróleo costuma ter reflexos diretos sobre a economia global.

Com combustíveis mais caros, cresce o custo do transporte de mercadorias, da produção industrial e da geração de energia em diversos países. Como consequência, produtos e serviços tendem a ficar mais caros, aumentando as pressões inflacionárias.

Nos Estados Unidos, a valorização do petróleo ocorre justamente em um momento de expectativa pela divulgação dos índices oficiais de inflação referentes ao mês de junho.

Investidores acompanham os números com atenção porque uma nova aceleração dos preços poderá dificultar o trabalho do Federal Reserve (Fed), o banco central americano, na condução da política monetária.

Além disso, recentes declarações de dirigentes da instituição reforçaram a possibilidade de manutenção dos juros em níveis elevados — ou até mesmo de novos aumentos — caso a inflação permaneça acima da meta estabelecida.

Mercados asiáticos acompanham valorização

A alta do petróleo também influenciou o desempenho das bolsas internacionais.

Na Ásia, a maior parte dos mercados encerrou o pregão em alta.

Na China, o índice de Xangai avançou 1,36%, enquanto o CSI300, que reúne as principais empresas das bolsas de Xangai e Shenzhen, subiu 2,15%.

Em Hong Kong, o índice Hang Seng registrou valorização de 0,52%.

O índice Nikkei, do Japão, fechou em alta de 0,74%, enquanto o Kospi, da Coreia do Sul, avançou 0,73%.

Em Cingapura, o Straits Times ganhou 0,43%. Na contramão, o índice Taiex, de Taiwan, recuou 1,42%, enquanto a bolsa da Austrália terminou praticamente estável.

Na China, o otimismo também foi impulsionado pelo crescimento de 27% das exportações em junho, na comparação anual em dólares, resultado atribuído principalmente ao aumento da demanda internacional por semicondutores e equipamentos voltados à inteligência artificial.

As empresas do setor de energia estiveram entre os principais destaques positivos, beneficiadas pela valorização do petróleo.

Europa adota postura cautelosa

Nos mercados europeus, o sentimento predominante foi de prudência.

Em Londres, o índice FTSE 100 registrava queda de 0,3%, enquanto o FTSE 250 recuava 0,7%.

As perdas foram puxadas principalmente pelos setores financeiro e de turismo, que compensaram os ganhos observados entre as empresas de energia.

As ações da petroleira BP avançaram após a companhia informar que a valorização do petróleo e o melhor desempenho de suas refinarias devem contribuir para elevar os lucros do segundo trimestre.

Dólar segue fortalecido

No mercado cambial, o dólar permaneceu próximo das máximas registradas nos últimos 13 meses.

A valorização da moeda estadunidense reflete a expectativa de que o aumento dos preços da energia mantenha a inflação elevada e reduza as chances de cortes nos juros pelo Federal Reserve.

Durante a manhã, o euro era negociado em alta de 0,2%, cotado a US$ 1,1399. A libra esterlina também avançava 0,2%, para US$ 1,337.

Já o iene japonês era negociado a 162,27 por dólar, permanecendo próximo do menor nível observado em cerca de quatro décadas.

Nos Estados Unidos, os contratos futuros das bolsas de Nova York apresentavam comportamento misto. Os futuros do Dow Jones recuavam aproximadamente 0,2%, enquanto os do S&P 500 operavam próximos da estabilidade. Já os contratos futuros do Nasdaq registravam alta em torno de 0,5%, impulsionados principalmente pelas ações do setor de tecnologia.

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