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O enriquecimento meteórico da esposa do vice de Tarcísio

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O enriquecimento meteórico da esposa do vice de Tarcísio

O patrimônio declarado da empresária Vanessa Ramuth, mulher do vice-governador de São Paulo, Felicio Ramuth (MDB), cresceu 580% desde a posse dele no governo Tarcísio de Freitas (Republicanos). Em janeiro de 2023, quando Ramuth assumiu o cargo, Vanessa declarou R$ 2 milhões em bens e direitos: uma casa de R$ 325 mil, s de R$ 1,6 milhão a receber de sua própria empresa, R$ 7 mil em títulos e R$ 91 em conta bancária.

Ao fechar 2025, a segunda-dama paulista informou patrimônio de R$ 13,6 milhões, segundo levantamento da coluna de Mônica Bergamo, na Folha de S.Paulo. A declaração inclui R$ 2,3 milhões em investimentos bancários, um de R$ 850 mil contra o próprio marido e R$ 9,6 milhões em participação na Visio Panamá Corporation S.A., empresa no Panamá.

A maior parte da renda de Vanessa vem da Direct Serviços Digitais e Sistemas, empresa de software sem funcionários, com capital social de R$ 5.000 e sede em um coworking em Barueri, na Grande São Paulo. A Direct recebe recursos da A.L.A de Oliveira Sistemas e da CSJ Consultoria, companhias com atuação em contratos públicos na área de sistemas para coleta de lixo.

Notas fiscais apontam repasses mensais à Direct após a posse

A coluna localizou 41 notas fiscais de pagamentos das duas empresas à Direct. Antes da eleição de Ramuth, entre 2021 e 2022, houve oito repasses esporádicos, de R$ 71 mil a R$ 307 mil, que somaram R$ 2 milhões.

Depois da posse do vice-governador, as transferências passaram a ocorrer praticamente todos os meses, com valores entre R$ 204 mil e R$ 695 mil. A A.L.A. fez repasses até setembro de 2024; a partir do mês seguinte, a CSJ assumiu os pagamentos mensais. De 2023 a 2025, as duas empresas repassaram R$ 10,3 milhões à Direct, e a CSJ desembolsou mais R$ 1,5 milhão em 2026.

A A.L.A. e a CSJ pertencem ao grupo da família de Angelo de Oliveira, que já foi sócio de Felicio Ramuth na própria Direct. O vice-governador prestou consultoria à CSJ antes de entrar na política. As duas companhias ficam em São José dos Campos, cidade que Ramuth administrou como prefeito de 2017 a 2022. A Direct hoje pertence apenas a Vanessa, mas foi fundada em 2011 por Felicio Ramuth, seu pai, Edson Ramuth, e Angelo de Oliveira.

Ramuth afirmou que a remuneração da empresa da mulher decorre de direitos sobre tecnologia desenvolvida desde 2016, antes de sua entrada na política, “com as devidas notas fiscais emitidas e com tributação regular e à disposição dos órgãos de controle”. Ele disse que advogados o orientaram a não apresentar o contrato que estabelece os repasses, afirmou que a Direct não tem contratos com o poder público e declarou que 100% das relações comerciais da empresa ocorrem com empresas privadas.

Sobre a participação no Panamá, o vice-governador disse que “a estrutura de investimento da Sra Vanessa no exterior está integralmente declarada à Receita Federal e ao Banco Central, em conformidade com a legislação aplicável — inclusive o regime da Lei nº 14.754/2023 — e se destina exclusivamente a investimentos”. Ele também afirmou que Vanessa não tem participação comercial, administrativa ou societária em nenhuma empresa além das declaradas no Imposto de Renda.

Jesus Angelo, diretor-geral da CSJ, afirmou em nota que a empresa não divulga nem comenta publicamente informações sobre relações contratuais, comerciais ou financeiras com clientes e fornecedores por “política de governança e confidencialidade comercial”. Ele disse ainda que a CSJ conduz suas atividades conforme a legislação, seus procedimentos internos e princípios de integridade.

A CSJ mantém contratos com a Prefeitura de São Paulo desde 2020, quando venceu licitação da então AMLURB para fornecer sistema de gestão e rastreabilidade de resíduos sólidos. Em 2025, assinou com a SP Regula um contrato de R$ 1,6 milhão para sistema de apoio à fiscalização e venceu outra licitação, de R$ 22,2 milhões, para implantação, evolução e suporte do sistema de gestão de resíduos sólidos, com vigência até 2030.

Além da capital paulista, a CSJ mantém contratos com prefeituras como Jundiaí (SP), Campo Grande (MS) e Praia Grande (SP), além de empresas que operam concessões públicas de limpeza urbana, como Ecofor Ambiental e Consórcio SCK. A A.L.A. presta serviços a concessionárias responsáveis pela limpeza urbana em São Paulo, entre elas Lurb Ambiental, Locat, SP Urbano e Consórcio Paulista de Limpeza Urbana, e a clientes privados como Positivo e Sky.

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