Pular para o conteúdo

Noruega faz campanha para excluir Israel dos torneios da FIFA

noruega-faz-campanha-para-excluir-israel-dos-torneios-da-fifa
Noruega faz campanha para excluir Israel dos torneios da FIFA

Enquanto disputa uma vaga entre as melhores seleções da Copa do Mundo de 2026, a Noruega trava outra batalha fora de campo: lidera uma campanha para suspender Israel das competições organizadas pela FIFA.

O país escandinavo adotou uma estratégia baseada menos em protestos de torcedores ou manifestações de jogadores e mais em pressão institucional dentro das entidades que comandam o futebol mundial. O objetivo é convencer a FIFA de que Israel deve receber tratamento semelhante ao dado à Rússia, excluída das competições internacionais após invadir a Ucrânia.

A Noruega voltou a disputar uma Copa do Mundo após 28 anos de ausência. Em sua trajetória até o torneio, enfrentou Israel nas Eliminatórias Europeias. Desde 1994, Israel disputa as vagas da Europa porque deixou de competir na Confederação Asiática de Futebol após boicotes de países árabes e muçulmanos.

No confronto realizado em Oslo, em outubro do ano passado, a Federação Norueguesa de Futebol anunciou que toda a renda da partida seria destinada à ajuda humanitária em Gaza. Nas arquibancadas, torcedores exibiram bandeiras palestinas, usaram lenços keffiyeh combinados com capacetes de vikings e estenderam uma enorme faixa com a mensagem “Deixem as crianças viver”. O hino nacional israelense também foi vaiado.

Apesar dessas manifestações, a principal estratégia da Noruega ocorre nos bastidores das instituições esportivas. A federação utiliza seu prestígio internacional para pressionar a FIFA por meio de mecanismos formais e argumentos jurídicos, uma postura que reflete a tradição diplomática do país.

Da mediação no Oriente Médio à pressão sobre a FIFA

A atuação norueguesa no conflito entre israelenses e palestinos não começou no futebol.

Na década de 1970, durante os desdobramentos dos Acordos de Camp David, os Estados Unidos pressionaram a Noruega a fornecer petróleo a Israel. Oslo só aceitou depois de consultar o então líder da Organização para a Libertação da Palestina (OLP), Yasser Arafat, que via vantagem em manter um canal de diálogo indireto com Israel.

Nos anos 1990, a Noruega sediou as negociações que resultaram nos Acordos de Oslo, considerados o maior avanço diplomático rumo a uma solução de paz entre israelenses e palestinos. Com o fracasso desse processo e o aprofundamento da ocupação israelense da Faixa de Gaza e da Cisjordânia, o país passou a adotar uma postura mais crítica em relação a Israel.

Essa posição foi levada ao futebol internacional.

A Noruega sustenta que a exclusão da Rússia criou um precedente que deve ser aplicado também a Israel. A campanha pela suspensão israelense foi iniciada, em 2024, pela Federação Palestina de Futebol e recebeu apoio de federações árabes e asiáticas, que acusam Israel de cometer atrocidades em Gaza, discriminar atletas árabes e manter clubes instalados em assentamentos considerados ilegais na Cisjordânia.

autores
tópicos relacionados

Deixe seu comentário

Seu e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *.