O presidente Luiz Inácio Lula da Silva voltou a defender o Pix nesta sexta-feira (17) em meio à reação do governo brasileiro ao tarifaço de 25% imposto pelos Estados Unidos, medida que provoca temor de prejuízos à economia.
Lula publicou nas redes sociais um card com a frase: “Ninguém vai fazer a gente mudar o Pix. É público, é de graça e vai continuar assim”. Na legenda, escreveu: “Nossa soberania não se negocia. Ninguém vai mudar o nosso Pix”.
O Planalto passou a tratar o sistema de pagamentos do Banco Central como uma das principais bandeiras da resposta brasileira à decisão estadunidense. Enquanto Lula concentrou a reação nas redes, o vice-presidente Geraldo Alckmin e o chanceler Mauro Vieira assumiram as declarações oficiais à imprensa.
A reação presidencial começou na quinta-feira (16), depois que a Presidência divulgou uma nota oficial sobre a medida dos Estados Unidos. Em uma das primeiras publicações, Lula compartilhou a imagem de uma mão sobre a bandeira do Brasil com a frase: “Proteger a nossa soberania é uma obrigação que está acima de todos os partidos e todas as tendências. O governo brasileiro não vacilará em seu dever de preservá-la.”
Pix entrou em investigação comercial dos Estados Unidos
O Pix aparece entre os pontos citados na investigação comercial estadunidense que embasou a tarifa. O procedimento teve abertura com base na Seção 301 da legislação de comércio dos Estados Unidos.
Na nota de resposta, o Planalto classificou as críticas ao sistema de pagamentos como “descabidas”. O governo também definiu o Pix como “um patrimônio do nosso povo e referência internacional de infraestrutura pública digital”.
Integrantes do governo relatam que auxiliares calibram as manifestações do presidente com cautela por causa das restrições do período eleitoral e do receio de questionamentos na Justiça Eleitoral. Na quinta-feira (16), o formato da resposta ao tarifaço entrou em discussão ao longo da manhã.
Entre as alternativas avaliadas estavam uma coletiva com ministros e uma manifestação pública de Lula, mas a orientação foi concentrar as falas institucionais em ministros e evitar declaração presencial do presidente no Palácio do Planalto. A Secretaria de Comunicação Social e a Advocacia-Geral da União ampliaram a revisão de materiais de divulgação do governo, inclusive publicações de ministros, enquanto aliados avaliam que a oposição bolsonarista deve monitorar eventuais deslizes para levar questionamentos ao Tribunal Superior Eleitoral.