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Eleições 2026

Neutralidade de prefeitos acende alerta na campanha de Douglas Ruas no RJ

Por 4 min de leitura Expresso Rio
Expresso Rio
Imagem: Divulgação
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A postura cautelosa de parte dos prefeitos fluminenses tornou-se um novo desafio para a campanha de Douglas Ruas (PL) ao Governo do Rio de Janeiro. Com a eleição se aproximando, gestores que eram considerados integrantes da base política do partido ainda evitam demonstrar participação mais intensa na campanha estadual, num momento em que Eduardo Paes (PSD) busca ampliar alianças principalmente no interior, na Baixada Fluminense e na Região dos Lagos.

Antes da campanha, o PL contabilizava aliados e grupos políticos em cerca de 70 dos 92 municípios do estado. Um levantamento publicado por O Globo nesta segunda-feira (24), no entanto, identificou que nove dos 22 prefeitos eleitos pelo PL não haviam declarado publicamente apoio a Ruas nos primeiros dias da campanha oficial. O dado se refere ao comportamento público analisado pelo jornal e não significa, por si só, rompimento partidário ou apoio a outro candidato.

A cautela ocorre também em meio à situação atípica no comando do Executivo estadual. Após a renúncia de Cláudio Castro, o desembargador Ricardo Couto, presidente do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro, passou a exercer interinamente o governo por decisão judicial. Douglas Ruas, atual presidente da Assembleia Legislativa do Rio (Alerj), chegou a defender sua entrada na linha sucessória, mas o tema permanece relacionado a uma controvérsia jurídica submetida ao Supremo Tribunal Federal.

Prefeitos adotam cautela na disputa estadual

Entre os casos citados está Ramon Gidalte (PL), prefeito de Casimiro de Abreu. Gidalte recebeu anteriormente Eduardo Paes e outras lideranças políticas, mas posteriormente reafirmou publicamente que seu apoio para o governo estadual é destinado a Douglas Ruas. Ao jornal, o prefeito afirmou que encontros com integrantes de outros partidos tiveram caráter institucional e declarou permanecer alinhado ao candidato de sua legenda.

Situação diferente ocorre em Armação dos Búzios. O prefeito Alexandre Martins (Republicanos) declarou que ainda não definiu candidato ao Governo do Estado, apesar de manifestar apoio a Flávio Bolsonaro na disputa presidencial. Sua mulher, Daniele Martins, candidata a deputada estadual, recebeu apoio de Flávio. Durante uma passagem recente de Paes por Búzios, o candidato do PSD teve um breve encontro com o prefeito. Douglas Ruas também realizou agenda na região em período próximo.

A neutralidade adotada por alguns grupos municipais não pode ser interpretada automaticamente como adesão a Paes. Parte dos prefeitos mantém relações administrativas e políticas com diferentes partidos, enquanto outros priorizam candidaturas proporcionais em seus municípios. O próprio coordenador da campanha de Ruas, Bruno Bonetti, rejeitou a interpretação de que encontros institucionais ou manifestações isoladas representem uma onda de infidelidade dentro do grupo político do PL.

Paes amplia ofensiva sobre antigos redutos do PL

Enquanto Ruas busca mobilizar sua base, Eduardo Paes intensifica sua presença fora da capital. O candidato do PSD já recebeu apoio de antigos aliados do grupo que inicialmente orbitava a candidatura de Ruas, principalmente depois que PP e União Brasil decidiram não integrar a coligação estadual do PL e liberaram seus filiados. Em Nova Iguaçu, por exemplo, o prefeito Dudu Reina (PP) integra o grupo político de lideranças que passaram a apoiar Paes.

A disputa pelos apoios municipais ganhou importância adicional porque pesquisas recentes colocam Paes à frente na corrida pelo Palácio Guanabara. O Datafolha divulgado em 21 de agosto apontou 41% das intenções de voto para Eduardo Paes e 19% para Douglas Ruas, cenário que aumenta a pressão sobre o candidato do PL para ampliar sua presença no interior e reduzir a vantagem do adversário. O levantamento ouviu 1.204 eleitores em 35 municípios e tem margem de erro de três pontos percentuais.

Apesar das dificuldades apontadas, Ruas mantém apoios relevantes no estado e conseguiu reunir lideranças municipais em diferentes eventos da pré-campanha e da campanha. Na Região dos Lagos, por exemplo, prefeitos de diferentes municípios já participaram de atos ao lado do candidato. Por isso, o quadro ainda é de disputa pelas bases políticas municipais, e não de um rompimento generalizado dos prefeitos com o PL.

Com a campanha entrando em uma fase decisiva, o comportamento dessas lideranças tende a ganhar peso. Para Ruas, transformar apoio partidário em presença efetiva nas cidades pode ser fundamental para tentar reduzir a vantagem registrada por Paes. Para o candidato do PSD, a estratégia é justamente avançar sobre municípios nos quais o PL chegou ao período eleitoral com uma estrutura política considerada consolidada. Até aqui, porém, encontros institucionais, ausência em atos ou silêncio nas redes sociais, isoladamente, não permitem concluir mudança definitiva de apoio eleitoral.

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