
O Museu Nacional/UFRJ, no Rio de Janeiro, recuperou um importante conjunto de negativos fotográficos em vidro que estavam preservados há mais de um século na Fundação Biblioteca Nacional. O retorno das peças é considerado um marco simbólico no processo de reconstrução do acervo científico e histórico destruído parcialmente pelo incêndio de 2018.
Ao todo, o material recuperado reúne oito negativos fotográficos raros e uma lanterna slide histórica, utilizados originalmente pelo antropólogo e pesquisador Edgard Roquette-Pinto em conferências realizadas no início do século XX.
Segundo informações do Museu Nacional, os registros permaneceram sob guarda da Biblioteca Nacional por mais de 100 anos como material de apoio acadêmico e documental.
Os negativos recuperados retratam culturas indígenas brasileiras, elementos da natureza e registros ligados à produção científica da época. Entre os itens devolvidos ao acervo estão imagens intituladas:
- Desenhos simbólicos dos índios Bakairis;
- Zoolito dos Sambaquis de Santa Catarina;
- Índios Mauhá;
- Cephalopterus ornatus;
- Maloca dos índios Curutús do Rio Negro;
- Tartaruga sp.;
- Expedição Alemã de 1884;
- Iararaca dos Parecis;
- Cabeça do último índio Cambeba.
As peças agora passam a integrar oficialmente a coleção da Seção de Memória e Arquivo (Semear) do Museu Nacional/UFRJ.
Segundo especialistas, os negativos em vidro funcionavam como uma espécie de “molde fotográfico” utilizado para a produção de imagens positivas em papel, tecnologia considerada extremamente importante para os registros científicos do período.
Para o Museu Nacional, o retorno dos materiais representa um reencontro com fragmentos históricos considerados insubstituíveis para a preservação da memória científica brasileira.
O diretor do Museu Nacional/UFRJ, Ronaldo Fernandes, afirmou que a cooperação entre instituições tem sido fundamental para a recomposição do acervo destruído no incêndio ocorrido em 2018.
“A incorporação dos negativos em vidro ao acervo do Museu Nacional simboliza a força dessa cooperação e o compromisso compartilhado com a preservação de um patrimônio de enorme relevância histórica, científica e cultural para o Brasil”, declarou.
Segundo o museu, o processo de devolução foi conduzido pelo chefe da Seção de Memória e Arquivo do Semear, Jorge Dias, após a identificação da existência dos negativos preservados na Fundação Biblioteca Nacional.
A análise técnica das imagens contou com participação do historiador Gustavo Alves Cardoso Moreira e da conservadora-restauradora Ana Luiza Castro do Amaral, responsável pelo Laboratório Central de Conservação e Restauro.
De acordo com a instituição, o grupo conseguiu estabelecer associações entre os negativos encontrados na Biblioteca Nacional e antigas coleções fotográficas do Museu Nacional perdidas durante o incêndio.
Segundo Jorge Dias, o retorno das peças representa mais do que a recuperação de documentos visuais.
“Cada negativo preservado nesses vidros carrega não apenas registros visuais, mas também memórias de pesquisa, de encontros interculturais e de práticas acadêmicas que ajudaram a construir a trajetória da ciência no Brasil”, afirmou.
O conjunto recuperado também deverá contribuir para novas pesquisas acadêmicas, preservação documental e fortalecimento da memória científica nacional.
O incêndio no Museu Nacional, ocorrido em setembro de 2018, destruiu grande parte do acervo histórico da instituição e mobilizou universidades, pesquisadores e órgãos culturais em uma força-tarefa de recuperação de materiais e reconstrução do patrimônio científico brasileiro.
*Com informações da Agência Brasil