O ministro do Trabalho e Emprego, Luiz Marinho, classificou como “hipocrisia” a justificativa usada pelos Estados Unidos para taxar produtos brasileiros com alegações sobre trabalho análogo à escravidão. Ele afirmou que Donald Trump não apresentou fundamento para associar o Brasil à falta de fiscalização desse tipo de exploração.
Marinho disse que o governo brasileiro está disposto a prestar esclarecimentos aos EUA. A acusação americana, segundo ele, sustenta que empresas brasileiras importariam produtos feitos com trabalho forçado em sua origem.
“Na verdade, é uma hipocrisia o que os Estados Unidos fazem, porque não tem absolutamente nenhum nexo com o assunto ao qual estão se referindo. Eles estão dizendo, na prática, que o Brasil não tem fiscalizado os produtos importados pelas empresas brasileiras e que, na origem da produção, foi utilizado trabalho forçado”, afirmou o ministro à coluna de Milena Teixeira no Metrópoles.
O titular do Trabalho defendeu que o Brasil tem reconhecimento internacional pelas ações de combate ao trabalho análogo à escravidão e à exploração de mão de obra infantil. Para ele, nenhum outro país ocupa posição semelhante de referência global nessa área.
Ministro cita reconhecimento da OIT ao combate brasileiro
“Eu desconheço qualquer outro país que seja referência global como o Brasil é no combate ao trabalho análogo à escravidão e à exploração de mão de obra infantil. Não conheço. Nem Estados Unidos, nem Europa. Não sei de nenhum outro país que seja referência global nesse tema”, declarou Marinho.
O ministro afirmou que a Organização Internacional do Trabalho procura o Brasil quando busca referências e acordos de cooperação sobre o enfrentamento ao trabalho escravo. “Nós somos referência”, disse.
Marinho rejeitou a alegação de que o país deixou de cumprir seu dever de fiscalização. “Não podemos aceitar essa falácia do presidente americano de taxar o Brasil”, afirmou, ao citar a possibilidade de haver motivações ideológicas ou outras disputas por trás da medida.
Na avaliação do ministro, a justificativa ligada ao trabalho escravo pode servir para encobrir problemas de competitividade em setores da indústria americana. “Muitas vezes, isso serve para acobertar a ineficiência da sua própria indústria ou de determinados segmentos”, concluiu.