A ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro (PL) relatou a interlocutores receio de que a divulgação, pelo senaador Flávio Bolsonaro, da íntegra de uma carta escrita por Jair Bolsonaro leve o ex-presidente novamente à cadeia. Se não for lágrimas de crocodilo, ou seja, encenação, é mais um golpe contra o enteado no sentido de atribuir a Flávio mais problemas para o pai preso por tentativa de golpe de Estado.
Michelle pediu orações a pessoas próximas nas últimas horas e teme que o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), revogue a prisão domiciliar humanitária de Bolsonaro, mantida em decisão expedida há 10 dias.
Na carta divulgada por Flávio, Bolsonaro pede união em torno da campanha do filho e afirma que o momento exige que aliados deixem “as possíveis diferenças” de lado. O manuscrito, datado de 11 de julho, descreve ele como “porta-voz” e “melhor opção” para o país.
Brasília, 11/Jul/26
CARTA AOS BRASILEIROS
“Saudoso do contato com o povo, ao qual devo lealdade, escrevo num momento de decisão para o futuro de todos nós.
O momento é de arregaçar as mangas, deixarmos de lado as possíveis diferenças, e cada um se empenhar pelo nosso… pic.twitter.com/5WM7FCjXr4
— Flávio Bolsonaro (@FlavioBolsonaro) July 11, 2026
O senador divulgou o texto na condição de pré-candidato a presidente e filho 01 de Bolsonaro. A publicação da carta provocou reação na esquerda. O deputado Lindbergh Farias (PT-RJ) pediu a Moraes que cancele a prisão domiciliar de Bolsonaro.
O advogado Antonio Carlos de Almeida Castro, o Kakay, afirmou que a carta representa violação das medidas cautelares impostas pelo STF ao ex-presidente. Bolsonaro cumpre pena de prisão por tentativa de golpe de Estado.
A situação jurídica dele voltou ao centro da disputa depois que aliados e adversários passaram a tratar a carta como peça de articulação eleitoral. Michelle nunca admitiu publicamente a intenção de concorrer ao Senado. Quando questionada sobre o tema, ela tem dito que uma candidatura seria consequência de um “chamado de Deus”.




