O jornalista Merval Pereira afirmou que a participação de Eduardo Bolsonaro e de outros aliados do ex-presidente na articulação de medidas dos Estados Unidos contra o Brasil teria provocado uma mudança na percepção do eleitorado sobre a candidatura presidencial de Flávio Bolsonaro.

Em artigo intitulado “Bolsonaristas extremistas jogam contra o Brasil”, publicado nesta quinta-feira (16) em O Globo, o colunista classificou a atuação do grupo como uma ofensiva política contra o próprio país. O governo de Donald Trump anunciou na quarta-feira (15) uma tarifa adicional de 25% sobre a maior parte dos produtos brasileiros enviados ao mercado estadunidense.

A medida foi tomada após uma investigação conduzida pelo Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos e passou a atingir setores relevantes da economia brasileira.

O tarifaço agravou a tensão entre os dois países e levou o governo brasileiro a anunciar que poderá recorrer à Organização Mundial do Comércio e à Lei de Reciprocidade Econômica. Integrantes do Planalto também acusaram a família Bolsonaro de colaborar com a ofensiva comercial ao atuar politicamente em Washington contra o governo Lula.

“Todo mundo sabe que eles estavam usando um governo estrangeiro pra prejudicar o Brasil, com objetivos políticos. Esta atitude não pode ser aceita e nem minimizada. É atitude de quem faz qualquer coisa para ganhar uma eleição, inclusive entregar o seu país para um governo que está claramente também fazendo política com as tarifas, punindo um governo que considera de esquerda, contra os EUA.”

Merval acrescentou que divergências políticas com o governo Lula não justificam a busca de apoio estrangeiro para impor prejuízos econômicos ao país. Ele citou nominalmente Eduardo Bolsonaro e Paulo Figueiredo entre os responsáveis pela articulação nos Estados Unidos.