Jason Arday, ex-professor da Universidade de Cambridge, foi encontrado morto nesta sexta-feira (14) em um endereço em Battersea, no sul de Londres. Ele tinha 41 anos.
Segundo a Polícia Metropolitana de Londres, Arday foi encontrado inconsciente por volta das 15h12, após o serviço de ambulância da capital acionar os policiais. Ele foi declarado morto ainda no local.
A polícia informou que a morte é considerada inesperada, mas não há suspeita de crime. O caso está sendo investigado pela unidade Central South Command Unit, e um relatório será encaminhado ao legista.
O Serviço de Ambulâncias de Londres informou que recebeu o chamado às 15h06 e enviou uma equipe de ambulância, um paramédico especializado em atendimento rápido e integrantes de sua equipe de resposta a áreas de risco.
A polícia isolou o endereço onde o corpo foi encontrado. Uma ambulância particular foi vista chegando ao local por volta das 20h e deixando a região pouco antes das 20h30.
Família diz que Arday sofreu campanha de ataques
Arday deixou a esposa e dois filhos. Em comunicado, a família o descreveu como um homem gentil e um “pai, companheiro, irmão, tio e filho extraordinário”.
Os familiares também afirmaram que ele foi alvo de uma campanha de ataques durante mais de três anos, desde que assumiu o cargo de professor em Cambridge.
Segundo a família, a campanha de desinformação e as tentativas de desacreditá-lo tiveram um impacto profundo sobre Arday.
“Jason foi submetido a uma campanha de abusos persistentes por mais de três anos”, afirmou a família, acrescentando que ele era uma pessoa gentil e que procurava sempre enxergar o melhor nos outros.
Nascido em 1985, Jason Arday estudou em escolas públicas de Battersea e Southfields. Depois, cursou um BTEC no Merton College, no sul de Londres, antes de ingressar na universidade.
Ele estudou educação na graduação e na pós-graduação e concluiu o doutorado na Liverpool John Moores University. Ao longo da carreira acadêmica, trabalhou na University of Roehampton, na Durham University e na University of Glasgow, onde se tornou professor de sociologia da educação em 2021.
Em Cambridge, Arday tornou-se o professor negro mais jovem da história da universidade.
Renúncia após acusações de plágio
Arday deixou o cargo de professor de sociologia da educação em Cambridge em 5 de agosto, após acusações de plágio. Pouco antes de sua renúncia, a universidade havia anunciado uma investigação sobre sua nomeação e sua permanência no cargo.
A apuração também será incorporada a uma revisão dos procedimentos adotados por Cambridge para a contratação de professores em posições acadêmicas superiores.
Ao renunciar, Arday citou o “nível implacável de escrutínio público” a que vinha sendo submetido.
Sua saída ocorreu poucos dias depois de a universidade anunciar a investigação.
A vice-reitora de Cambridge, Deborah Prentice, afirmou estar “profundamente entristecida” com a morte e enviou condolências à família e aos amigos do professor.
A Durham University também lamentou a morte de Arday e o descreveu como uma pessoa “gentil e calorosa”, destacando seu trabalho para ampliar oportunidades para estudantes de doutorado.
A secretária de Educação do Reino Unido, Lucy Powell, disse estar “profundamente chocada e triste” e pediu que a privacidade da família seja respeitada neste momento.
Memórias seriam publicadas no Reino Unido
A autobiografia de Arday, “Great and Unfortunate Things” (“Grandes e Desafortunadas Coisas”), foi publicada nos Estados Unidos nesta semana. A edição britânica estava prevista para chegar às livrarias em 27 de agosto, pela editora Simon & Schuster.




