A história das Mães de Acari foi lembrada em uma cerimônia realizada no Santuário Cristo Redentor, no Rio de Janeiro. O encontro homenageou as vítimas da Chacina de Acari e reforçou a trajetória de luta de mães e familiares que, há 36 anos, buscam justiça, dignidade, respeito e reparação.
O coletivo Mães de Acari reúne familiares das 11 pessoas que foram vítimas de desaparecimento forçado em 1990. Desde então, as mães transformaram o sofrimento causado pela perda dos filhos e filhas em uma mobilização permanente pela defesa dos direitos humanos e pela preservação da memória das vítimas.
A cerimônia foi organizada pela Associação Mães de Acari em parceria com o Consórcio Cristo Sustentável. O momento de homenagem também destacou a resistência das mulheres negras e moradoras de favelas que enfrentaram décadas de espera e cobraram respostas sobre o destino de seus familiares.
Certidões de óbito entregues aos familiares
Um dos momentos mais marcantes da solenidade foi a entrega das 11 certidões de óbito aos familiares das vítimas. Os documentos representam um reconhecimento oficial das mortes e encerram um longo período de espera enfrentado pelas famílias.
A entrega das certidões de óbito durante a solenidade simbolizou um passo importante para o reconhecimento da história das vítimas, a preservação da memória e a busca por verdade e reparação.
Para os familiares, o momento reforçou que os desaparecimentos forçados e a violência sofrida pelas vítimas não podem ser esquecidos com o passar dos anos. A cerimônia também serviu para reafirmar a necessidade de políticas públicas voltadas ao enfrentamento das violações de direitos humanos.
Ao fim do evento, um minuto de silêncio foi realizado em homenagem às vítimas da Chacina de Acari. Durante o ato, a iluminação do monumento ao Cristo Redentor foi desligada como forma de marcar a solenidade e lembrar as 11 pessoas que tiveram suas vidas interrompidas.
Luta por justiça continua
O advogado Carlos Nicodemos, do Projeto Legal, destacou a importância de manter viva a memória das vítimas e de evitar que a busca por justiça cause ainda mais sofrimento às famílias.
“Não podemos fazer padecer e adoecer vítimas por Justiça. Que essa homenagem nos inspire a construir um Brasil mais justo, onde a memória das Mães de Acari seja sempre um lembrete de que desistir nunca foi uma opção”, afirmou.
Aline Leite, presidenta da Associação Mães de Acari e irmã de Cristiane Leite, também ressaltou o significado da cerimônia para a história de resistência das famílias.
“Para marcar e demarcar a memória da história de luta de mulheres negras, de favela, que transformaram seu luto em luta, em busca de dignidade, respeito e reparação, nós nos uniremos em um momento de fé, buscando forças para resistir”, declarou.
A homenagem no Santuário Cristo Redentor reforçou a importância de preservar a memória das vítimas da Chacina de Acari e de manter vivo o debate sobre justiça, direitos humanos e reparação para as famílias que aguardaram décadas por reconhecimento.