Agentes do FBI teriam apreendido celulares e outros aparelhos eletrônicos de Claudio “Chiqui” Tapia, presidente da Associação do Futebol Argentino, antes de sua volta a Buenos Aires após a Copa do Mundo. As informações foram publicadas nesta quarta-feira (22) pelo jornal argentino Infobae e Clarín e negadas pela AFA.
Tapia comanda a federação responsável pela seleção argentina. Segundo os dois veículos, ele foi abordado no Aeroporto Internacional John F. Kennedy, em Nova York, pouco antes de embarcar com parte da delegação. O voo fretado, previsto inicialmente para as 6h, partiu cerca de duas horas depois.
Tapia e Leandro Petersen, responsável pela área de marketing da AFA, foram levados a uma sala do aeroporto, onde agentes solicitaram seus celulares e outros dispositivos. O jornal também citou Luciano Nakis, Fernando Isla Casares e Jorge Miadosqui entre os dirigentes que acompanharam a seleção nos Estados Unidos, mas não informou se todos tiveram aparelhos recolhidos.
A AFA classificou o relato como “rotundamente falso”. Em comunicado assinado pelo advogado Gregorio Dalbón, a entidade afirmou que nenhum dos episódios descritos ocorreu. Até o momento, o FBI e o Departamento de Justiça dos Estados Unidos não divulgaram confirmação pública sobre a operação.
A investigação sobre os negócios internacionais da AFA, porém, já vinha sendo relatada pela imprensa argentina. Promotores e agentes federais analisam a estrutura usada para administrar contratos de patrocínio, direitos de transmissão, amistosos e outras receitas da seleção por meio da TourProdEnter LLC, empresa registrada na Flórida e ligada ao empresário Javier Faroni.
O procedimento ainda se encontra na fase preliminar, anterior a uma eventual denúncia, e não possui número público de processo criminal. O jornal afirma que Tapia foi convocado para comparecer em 30 de julho ao Tribunal do Distrito Sul da Flórida e apresentar mensagens, ligações e e-mails trocados com Faroni, o tesoureiro Pablo Toviggino e Diego Lucero.
Juan Pablo Beacon, ex-colaborador próximo de Toviggino, teria entregado documentos e prestado depoimentos às autoridades estadunidenses. De acordo com o jornal, documentos obtidos em uma disputa judicial indicariam que aproximadamente US$ 40 milhões, de cerca de US$ 300 milhões arrecadados pela TourProdEnter, foram transferidos a empresas sem atividade econômica real.
Os investigadores tentam reconstruir o destino dos recursos e verificar se houve evasão fiscal, lavagem de dinheiro ou outros crimes sob a legislação estadunidense. Não existe, até agora, denúncia criminal pública contra Tapia. A suposta apreensão de seus aparelhos permanece atribuída ao Infobae e ao Clarín e contestada oficialmente pela AFA.