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Irã prende ex-presidente Ahmadinejad por ligações com Israel

3 min de leitura Expresso Rio
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Irã prende ex-presidente Ahmadinejad por ligações com Israel
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O ex-presidente iraniano Mahmoud Ahmadinejad foi colocado em prisão domiciliar pela ala de inteligência da Guarda Revolucionária Islâmica após autoridades do Irã descobrirem contatos dele com Israel, segundo reportagem do The New York Times publicada nesta segunda-feira (13). Com informações da Veja.

A investigação afirma que Israel conduziu, durante anos, uma operação secreta para recrutar Ahmadinejad como de inteligência e prepará-lo para assumir o comando do país em caso de queda do regime dos aiatolás. O plano integraria uma estratégia mais ampla de mudança de governo em Teerã.

Operação teria usado evento em Budapeste como fachada

Um dos episódios citados ocorreu em 2024, quando Ahmadinejad recebeu convite para participar de uma conferência sobre mudanças climáticas na Universidade Ludovika, em Budapeste. O reitor da instituição, Gergely Deli, afirmou que um integrante do governo húngaro o informou de que o evento serviria de fachada para reuniões sigilosas entre o ex-presidente iraniano e agentes da inteligência israelense.

Ex-integrantes do governo dos Estados Unidos disseram ao jornal que David Barnea, então diretor do Mossad, agência de inteligência e operações especiais de Israel, viajou pessoalmente à capital húngara para encontrar Ahmadinejad. A investigação também aponta que Israel teria custeado despesas do ex-presidente e realizado pagamentos a Ali Akbar Javanfekr, porta-voz dele.

Em fevereiro, um ataque aéreo israelense atingiu o complexo residencial de Ahmadinejad em Teerã. Autoridades americanas e iranianas ouvidas pelo jornal afirmaram que agentes do Mossad retiraram o ex-presidente do local e o levaram para um esconderijo secreto; depois, ele deixou o abrigo em circunstâncias não esclarecidas e voltou a aparecer publicamente no funeral do aiatolá Ali Khamenei, na semana passada.

Após tomarem conhecimento dos contatos de Ahmadinejad com Israel, as autoridades iranianas determinaram a prisão domiciliar do ex-presidente. s próximas a ele afirmaram que a motivação para colaborar com Israel seria política, não financeira. “Ele tem dinheiro; possui uma ampla rede econômica. Ele faria isso pelo poder. Ele quer estar no comando do poder”, disse Abdolreza Davari, ex-assessor e aliado de Ahmadinejad.

Ex-presidente acumulou atritos com o regime iraniano

Ahmadinejad governou o Irã entre 2005 e 2013 e se tornou uma das figuras iranianas mais conhecidas no exterior por declarações agressivas contra Israel, defesa do programa nuclear do país e ataques frequentes aos Estados Unidos. Durante o período no poder, também ficou conhecido pela repressão a opositores e por falas controversas, como a negação do Holocausto.

Nos últimos anos, ele entrou em atrito com o núcleo duro do regime iraniano, criticou autoridades por corrupção e má gestão, viu aliados próximos serem presos e teve barradas tentativas de disputar novamente a Presidência em 2017, 2021 e 2024. Apesar das divergências, Ahmadinejad nunca rompeu formalmente com a República Islâmica e vivia sob vigilância constante em sua residência no bairro de Narmak, no leste de Teerã.

Uma investigação anterior do The New York Times, publicada em maio, já havia apontado que um dos objetivos iniciais dos Estados Unidos com a guerra no Irã era devolver Ahmadinejad ao comando do país. O jornal afirmou que Israel elaborou um plano de mudança de regime discutido com Washington, com etapas que combinavam ataques militares, eliminação de lideranças iranianas, campanhas de influência política e ações para ampliar a instabilidade interna; dias depois dos primeiros bombardeios, Donald Trump disse que seria melhor se “alguém de dentro” assumisse o controle do país.

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