A propaganda eleitoral gratuita no rádio e na televisão começa nesta sexta-feira (28) no Rio de Janeiro e já coloca frente a frente duas estratégias distintas na disputa pelo Governo do Estado. Eduardo Paes (PSD) pretende vincular Douglas Ruas (PL) ao grupo político que comandou o Executivo fluminense nos últimos anos, enquanto Ruas busca associar Paes a antigas administrações estaduais, especialmente às de Sérgio Cabral e Luiz Fernando Pezão. As mensagens fazem parte das estratégias eleitorais dos candidatos e não significam, por si só, atribuição de responsabilidade por eventuais irregularidades ocorridas em governos anteriores.
Paes entra no horário eleitoral com o maior espaço entre os concorrentes que têm direito à propaganda em bloco. De acordo com a distribuição divulgada após audiência do Tribunal Regional Eleitoral do Rio de Janeiro (TRE-RJ), o candidato terá cerca de 4 minutos e 56 segundos, enquanto Douglas Ruas contará com aproximadamente 2 minutos e 21 segundos. A propaganda gratuita será exibida entre 28 de agosto e 1º de outubro.
Na primeira fase da campanha televisiva, Paes deve concentrar o discurso em segurança pública, situação fiscal e funcionamento das instituições estaduais. A estratégia eleitoral busca apresentar Ruas como integrante do campo político que esteve à frente do Estado nos últimos anos, período que incluiu as administrações de Wilson Witzel e Cláudio Castro. Trata-se de uma linha argumentativa da campanha de Paes, que deverá ser contestada pelos adversários ao longo da disputa.
Douglas Ruas, por sua vez, aposta na apresentação de sua trajetória e no conceito de “Rio real”, procurando destacar problemas enfrentados por moradores da Baixada Fluminense, São Gonçalo, Zona Norte, Zona Oeste e municípios do interior. Ex-secretário estadual das Cidades no governo Cláudio Castro, Ruas afirma ter participado de ações e obras em dezenas de municípios, enquanto sua propaganda procura apresentá-lo como representante de uma geração política diferente.
O confronto com Paes aparece de maneira mais explícita quando a campanha de Ruas utiliza imagens do adversário ao lado do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e dos ex-governadores Sérgio Cabral e Luiz Fernando Pezão. A intenção declarada da peça é associar Paes ao que Ruas classifica como uma geração que se alternou no poder no Rio. Em contraposição, o candidato do PL aparece ao lado de Jair Bolsonaro e Flávio Bolsonaro. As imagens demonstram relações e alianças políticas em diferentes momentos, mas não constituem, isoladamente, prova de participação de Paes em eventuais irregularidades atribuídas a terceiros.
A disputa pela televisão ocorre ainda em meio a uma mudança importante envolvendo Anthony Garotinho (Republicanos). Na quinta-feira (27), o TRE-RJ decidiu impedir, de forma cautelar, seu acesso ao horário eleitoral gratuito e a recursos públicos de campanha, além da participação em debates, em razão da situação de seus direitos políticos decorrente de condenação por improbidade. O mérito do registro da candidatura ainda não foi definitivamente julgado, e a defesa de Garotinho informou que pretende recorrer da decisão.
William Siri (PSOL) também participa da disputa pelo governo e dispõe de tempo menor na propaganda eleitoral. Com o início da campanha no rádio e na televisão, a expectativa é de que segurança pública, saúde, transporte, infraestrutura e situação financeira do Estado ocupem espaço crescente nos programas, ao mesmo tempo em que Paes e Ruas intensificam a tentativa de relacionar o adversário a grupos políticos e administrações anteriores.




