O Ministério da Fazenda estima que uma nova tarifa de 25% dos Estados Unidos contra produtos brasileiros deverá provocar impacto limitado sobre o conjunto da economia. A avaliação consta do Boletim Macrofiscal divulgado nesta quarta-feira (15), que destaca a capacidade das exportações nacionais de encontrar outros destinos.
Segundo a Secretaria de Política Econômica, o mercado estadunidense recebeu cerca de 11% das exportações brasileiras em 2025. Essas vendas representavam menos de 2% do Produto Interno Bruto antes da elevação de tarifas ocorrida em agosto do ano passado.
A Fazenda afirma que as exportações mostraram “resiliência” depois do primeiro choque tarifário, com recuperação gradual a partir de novembro. Parte relevante da perda de vendas para os Estados Unidos foi compensada pelo redirecionamento de mercadorias para outros mercados.
O governo também considera que a lista de produtos isentos poderá reduzir o alcance da nova cobrança. Embora o efeito agregado seja considerado modesto, determinados setores e empresas com maior dependência do mercado estadunidense podem enfrentar perdas mais expressivas.
Para reduzir esses danos, a Fazenda cita medidas adotadas desde 2025 para ampliar crédito e liquidez aos setores expostos, além de políticas de diversificação dos destinos das exportações. O objetivo é impedir que dificuldades concentradas em algumas atividades contaminem o restante da economia.
A tarifa adicional foi proposta pelo Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos após uma investigação baseada na Seção 301. O USTR acusa o Brasil de adotar práticas prejudiciais ao comércio estadunidense em áreas como pagamentos digitais, propriedade intelectual, etanol, tarifas preferenciais e combate ao desmatamento.
Até a publicação do boletim, a cobrança ainda dependia de aprovação e formalização pelas autoridades estadunidenses. O governo brasileiro aguardava a lista definitiva de exceções para calcular os efeitos sobre cada setor, mas a avaliação da Fazenda é que o tarifaço não deve alterar de forma relevante a trajetória geral da atividade econômica.