O candidato do PL à Presidência da República, senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), saiu em defesa do vídeo produzido com inteligência artificial que recriou a imagem e a voz do ex-presidente Jair Bolsonaro e foi exibido durante a convenção nacional do partido, realizada no último sábado (25). Em transmissão ao vivo nas redes sociais nesta quinta-feira (30), o parlamentar afirmou que a campanha analisou previamente a legislação eleitoral e concluiu que o material não apresentava qualquer irregularidade.
A manifestação ocorre após o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), solicitar esclarecimentos sobre a produção e a utilização do vídeo. O magistrado quer saber se Bolsonaro autorizou o uso de sua imagem e de sua voz recriadas por inteligência artificial durante o evento partidário.
Segundo Flávio, o ex-presidente sequer tinha conhecimento de que a gravação seria exibida na convenção.
Campanha diz que seguiu a legislação
Durante a transmissão, o senador afirmou que a equipe jurídica da campanha estudou as regras da Justiça Eleitoral antes de decidir pela exibição do vídeo.
“O presidente Bolsonaro não tinha a menor ideia de que iria passar um vídeo dele na convenção. Nós estudamos a legislação e vimos que não tinha nada de errado”, declarou.
Flávio argumentou que a legislação eleitoral proíbe o uso de inteligência artificial para enganar o eleitor, disseminar informações falsas ou manipular o processo eleitoral, mas sustentou que esse não seria o caso da peça apresentada durante a convenção.
Segundo ele, o vídeo deixava claro, logo no início, que a imagem e a voz do ex-presidente haviam sido recriadas com inteligência artificial.
“Legalmente está tudo certo. Ele começa dizendo que é feito por inteligência artificial. E ele nada mais faz do que pedir apoio ao Flávio Bolsonaro”, afirmou.
Emoção ao ouvir a voz do pai
Além da defesa jurídica da iniciativa, Flávio Bolsonaro afirmou que o vídeo teve um significado emocional para ele e para os apoiadores do ex-presidente.
Segundo o senador, fazia mais de um ano que os simpatizantes não ouviam a voz de Jair Bolsonaro, que cumpre prisão domiciliar humanitária por determinação do STF.
“Eu fiquei muito emocionado porque tem mais de um ano que vocês não ouvem a voz do meu pai. Então, quando apareceu o vídeo de IA, fiquei emocionado porque queria muito que ele estivesse com a gente.”
STF apura responsabilidade pelo vídeo
A declaração reforça a estratégia adotada pela defesa de Jair Bolsonaro no Supremo Tribunal Federal.
Os advogados do ex-presidente informaram à Corte que Bolsonaro não foi comunicado previamente sobre a produção nem sobre a exibição do vídeo e que toda a iniciativa partiu da campanha presidencial de Flávio Bolsonaro e do Partido Liberal.
Ao determinar os esclarecimentos, Alexandre de Moraes destacou que, caso seja comprovado que Bolsonaro autorizou a peça, poderá haver análise sobre eventual descumprimento das medidas cautelares impostas para a manutenção de sua prisão domiciliar, que proíbem manifestações político-eleitorais, inclusive por intermédio de terceiros.
Por outro lado, caso fique comprovado que o ex-presidente não participou da decisão, o foco das investigações poderá recair sobre a campanha de Flávio Bolsonaro e sobre o PL, que poderão ser responsabilizados pela utilização de conteúdo sintético sem autorização do titular da imagem.




