O ex-comandante da Aeronáutica, tenente-brigadeiro Carlos Baptista Junior, lançará em setembro o livro “Eu disse NÃO: uma trincheira antigolpista”, publicado pela Autêntica Editora. Na obra, o militar relata os bastidores da crise institucional que envolveu as Forças Armadas entre 2021 e a posse do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, em janeiro de 2023. O lançamento ocorrerá às vésperas das eleições de 2026.
De acordo com o Globo, Baptista Junior afirma que sofreu pressões e presenciou episódios que antecederam a tentativa de golpe após as eleições presidenciais de 2022. Ele relata que as reuniões de “análise de conjuntura” promovidas no Ministério da Defesa se intensificaram ao longo do processo eleitoral e passaram a abordar cada vez mais o cenário político, aumentando a tensão entre os comandantes das Forças Armadas.
O general Laerte Santos, então chefe do Estado-Maior Conjunto das Forças Armadas e defensor da manutenção da ordem constitucional, deixou de ser convocado para esses encontros. Baptista Junior afirma que questionou o então ministro da Defesa, general Paulo Sérgio Nogueira, sobre a exclusão do oficial, mas não recebeu uma explicação objetiva.
O brigadeiro diz ter descoberto posteriormente que Laerte Santos foi informado de que sua retirada das reuniões teria ocorrido por solicitação dos comandantes das Forças Armadas. Baptista Junior, porém, nega ter feito esse pedido e afirma que o então comandante do Exército também não solicitou a exclusão.
A publicação chega em um momento em que continuam as investigações e os julgamentos relacionados à tentativa de golpe de Estado e aos atos antidemocráticos de 2022. No livro, Baptista Junior reafirma que se posicionou contra qualquer ruptura institucional durante o período em que comandou a Aeronáutica e apresenta sua versão dos acontecimentos que marcaram os últimos meses do governo Jair Bolsonaro.