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EUA voltam a atacar o Irã e presidente do parlamento dispara contra “acordos unilaterais”

3 min de leitura Expresso Rio
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Os Estados Unidos realizaram uma nova rodada de ataques contra o Irã neste domingo (12), depois que uma ofensiva iraniana atingiu um navio de contêineres no Estreito de Ormuz, deixou a embarcação em chamas e um tripulante desaparecido. A Casa Branca quer que Teerã assuma publicamente o compromisso de não atacar navios que atravessam a rota, uma das mais sensíveis para o comércio global de petróleo e gás.

“A era dos acordos unilaterais acabou”, escreveu Mohammad Bagher Qalibaf, presidente do Parlamento iraniano e um dos principais negociadores do país, após os novos ataques estaduidenses. “Nós dissemos: cumpra sua palavra ou pague o preço. A realidade está batendo à porta.”

Militares dos EUA afirmaram que a operação busca degradar a capacidade do Irã de atacar navegantes civis e navios comerciais que circulam por Ormuz. Uma autoridade dos Estados Unidos disse que os bombardeios atingiram sistemas de mísseis, defesas aéreas e embarcações da Guarda Revolucionária Islâmica, força paramilitar ligada ao governo iraniano, em diferentes pontos do país.

Antes da nova ofensiva, o Exército estadunidense havia atacado cerca de 140 alvos no Irã, incluindo locais de lançamento de mísseis e drones, depósitos de munição, equipamentos de comunicação e outras instalações militares. “Bombardeamos eles pra valer na noite passada”, afirmou o presidente Donald Trump em entrevista ao programa “Meet the Press”, da NBC.

Teerã respondeu com ataques contra Bahrein, Kuwait, Catar, Jordânia e Omã, países que abrigam instalações militares estadunidenses ou têm relevância estratégica para o tráfego marítimo no Golfo. O Catar informou que interceptou ataques iranianos, mas três pessoas ficaram feridas por estilhaços; o Kuwait relatou danos em postos de fronteira e em uma plataforma da Kuwait Oil Company, com um trabalhador ferido.

Disputa sobre Ormuz ameaça negociações diplomáticas

O Irã afirmou que o Estreito de Ormuz permaneceria fechado até a redução das tensões e ameaçou atingir “bases inimigas adicionais na região” se sofresse novos ataques. O governo dos EUA e Trump disseram que a passagem continuava aberta, enquanto uma organização multinacional supervisionada pela Marinha dos Estados Unidos afirmou que o tráfego seguia “em níveis reduzidos” tanto próximo a Omã quanto ao Irã.

O Exército dos Estados Unidos disse que mais de 140 navios atravessaram a região na última semana; antes da guerra, cerca de 140 embarcações passavam diariamente pelo estreito. Antes do conflito, aproximadamente um quinto de todo o petróleo e gás natural comercializados no mundo circulava por Ormuz, rota considerada há décadas uma via marítima internacional.

O Irã e os Estados Unidos se aproximam da metade do prazo de 60 dias previsto em um acordo provisório para buscar o fim definitivo da guerra, mas a escalada colocou as tratativas sob risco. “Um retorno a hostilidades em larga escala teria consequências catastróficas”, afirmou o secretário-geral da ONU, António Guterres, em comunicado.

O navio atingido, com bandeira do Chipre, sofreu danos significativos na casa de máquinas, segundo militares estadunidenses. A autoridade marítima de Omã resgatou 23 tripulantes, e o Ministério das Relações Exteriores da Índia confirmou que o desaparecido é um cidadão indiano; a Guarda Revolucionária afirmou que embarcações “ignoraram seus alertas” e que uma delas “foi atingida por um disparo de advertência e obrigada a parar”.

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