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Brasil

Esquema de limpa-nome pode ter ocultado R$ 130 bilhões em dívidas

Por 3 min de leitura Expresso Rio
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Imagem: Reprodução
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Uma investigação revelou indícios de um esquema conhecido como “indústria do limpa-nome”, que estaria utilizando ações judiciais coletivas e liminares para ocultar temporariamente registros de inadimplência de milhões de brasileiros nos órgãos de proteção ao . O caso envolve associações de defesa do consumidor e é alvo de apurações em diversos estados do país.

Segundo dados citados na reportagem, cerca de 83 milhões de brasileiros estão endividados atualmente, o equivalente a aproximadamente metade da população adulta do país. O crescimento da inadimplência tem impulsionado a procura por serviços que prometem retirar restrições de em curto prazo.

De acordo com as investigações, empresas e intermediários utilizam anúncios nas redes sociais prometendo restaurar rapidamente o acesso a empréstimos, financiamentos e cartões de . Os consumidores são encaminhados para associações que ingressam com ações coletivas na Justiça.

Essas ações buscam impedir que órgãos como Serasa e SPC divulguem informações sobre dívidas em aberto. Com isso, ao consultar o cadastro do consumidor, o sistema pode indicar ausência de restrições, mesmo que as dívidas continuem existindo.

Especialistas destacam que a dívida não é cancelada. Ela permanece válida e continua sujeita à cobrança, negociação ou protesto até sua quitação.

Segundo a apuração, um dos argumentos frequentemente utilizados nas ações é a suposta falta de comunicação prévia ao consumidor sobre a negativação do nome, obrigação prevista no Código de Defesa do Consumidor.

No entanto, conforme relatado por investigadores e especialistas ouvidos durante a reportagem, a maior parte dos consumidores teria recebido regularmente as notificações exigidas pela legislação.

O caso levantou suspeitas sobre a utilização padronizada de processos judiciais e concessões de liminares em larga escala, fenômeno que passou a ser monitorado por órgãos de controle e pelo Ministério Público.

Segundo membros do Ministério Público que acompanham as investigações, há indícios de que listas de consumidores seriam comercializadas e posteriormente utilizadas por associações para ajuizar ações coletivas.

De acordo com depoimentos citados na reportagem, pessoas passariam a integrar associações sem participação efetiva no processo, permitindo a representação judicial em massa.

Especialistas ouvidos classificam a prática como um possível desvio da finalidade das ações coletivas e apontam indícios de utilização abusiva do sistema judicial.

Dados apresentados pela Associação dos Cartórios de Protesto do Brasil indicam que aproximadamente R$ 130 bilhões em s teriam sido temporariamente ocultados ao longo dos últimos cinco anos por meio desse mecanismo.

Segundo a entidade, consumidores com débitos em aberto passaram a se apresentar ao mercado sem restrições aparentes, possibilitando a contratação de novos financiamentos e operações de .

As ações, que inicialmente se concentravam nos estados do Piauí, Paraíba e Pernambuco, passaram a ser identificadas também em outras unidades da federação, ampliando o alcance das investigações.

Especialistas em direito do consumidor e representantes de entidades do setor financeiro alertam que não existe mecanismo legal capaz de eliminar uma dívida legítima sem pagamento, negociação ou decisão judicial definitiva.

Segundo eles, promessas de remoção instantânea de restrições cadastrais devem ser analisadas com cautela, especialmente quando envolvem cobranças antecipadas ou garantias de resultados imediatos.

As investigações seguem em andamento e buscam esclarecer a atuação das associações, intermediários e demais envolvidos no chamado esquema do limpa-nome.

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