O médico Drauzio Varella afirmou que o mundo vive uma “epidemia de estupidez” ao falar sobre os efeitos da desinformação na saúde durante o evento “Trust is Earned — O Desafio da Credibilidade”, promovido pela BBC World Service em São Paulo. Ele citou a resistência ao uso de máscaras e às vacinas contra a Covid-19 como exemplos de uma mudança que o surpreendeu após décadas de divulgação científica.
Varella relatou que, há cerca de dez anos, sua imagem e sua voz são usadas em anúncios falsos de medicamentos e tratamentos. Segundo ele, os golpistas se aproveitam de sua credibilidade para vender produtos sem eficácia comprovada, frequentemente voltados a problemas de saúde comuns, como dores nas articulações.
Ao comentar a disseminação de conteúdos enganosos, o médico distinguiu a falta de informação da recusa em aprender. Para ele, o avanço de discursos antivacina e de boatos contra medidas de prevenção não pode ser tratado apenas como desconhecimento, porque envolve a rejeição deliberada de evidências científicas.
O médico também retomou a experiência da pandemia. Varella disse que imaginava que a sociedade já tivesse superado certas discussões, mas se deparou com médicos e profissionais de saúde propagando mentiras sobre vacinação e Covid-19. Na avaliação dele, a comunicação baseada apenas em argumentos racionais não alcança toda a população e precisa disputar também atenção e emoção.
A crítica mais dura foi dirigida à Meta, dona de Facebook, Instagram e WhatsApp. Varella classificou a empresa como “imoral” e afirmou que a plataforma não demonstra interesse suficiente em retirar do ar conteúdos fraudulentos que usam sua imagem para induzir consumidores a comprar remédios falsos. O médico acionou o Ministério Público contra a empresa após uma sequência de anúncios enganosos.
Em resposta mencionada no evento, a Meta afirmou que proíbe atividades fraudulentas, remove anúncios enganosos quando os identifica e usa ferramentas de detecção e reconhecimento facial. A empresa também disse que move ações judiciais contra anunciantes que usam indevidamente a imagem de figuras públicas.




