Em artigo intitulado “Coitado do Flávio Dino”, publicado na Folha de S.Paulo neste domingo (16), o colunista Elio Gaspari chama o ministro do STF de “coitadinho profissional” e critica a apreensão dos equipamentos do blogueiro Luís Pablo, que publicou informações sobre o uso de um veículo blindado do Tribunal de Justiça do Maranhão por Dino e familiares. Para o jornalista, a investigação chegou à suposta do jornalista e atropelou a garantia constitucional do sigilo da . Leia trechos:
“Depois que a casa caiu, a decisão de se vasculhar equipamentos eletrônicos de jornalistas parece ser de responsabilidade difusa. O ministro Flávio Dino, do STF, disse que está sofrendo ‘agressões e injustiças’ ao ser vinculado à ilegalidade essencial do procedimento. O artigo 5º, no seu inciso 14, diz que ‘é assegurado a todos o acesso à informação e resguardado o sigilo da , quando necessário ao exercício profissional’. Pode ser um exagero, mas está lá.
Na tipologia dos comportamentos, existe a figura do coitadinho profissional. Seja qual for a conduta criticada, tudo resulta da má-fé do outro. Dino entrou num enredo da política maranhense criando um problema federal, constitucional, porque achou que podia defender-se valendo-se de uma arma eficaz, porém tóxica. O mais incrível é que funcionou por cinco meses e, se a irmandade do Supremo não acordar, acaba associado a coitadinhos profissionais de todas as espécies. A decisão irá ao plenário do tribunal. (…)
Na política maranhense, há de tudo. Dino tem 37 anos de vida pública honrada e é perseguido por um blogueiro. No início deste ano, o blogueiro Luís Pablo noticiou que Dino e familiares seus usavam uma caminhonete blindada do Tribunal de Justiça maranhense em suas movimentações.
No dia 4 de março, o ministro Alexandre de Moraes atendeu a um pedido da Polícia Federal, acompanhado pelo Ministério Público, e determinou a apreensão de celulares, computadores, tablets, documentos e outros dispositivos eletrônicos que possam auxiliar na investigação. A decisão também permitia a análise do conteúdo armazenado nos aparelhos, inclusive dados guardados em serviços de armazenamento em nuvem.
(…)
Passaram-se seis meses e a diligência deu o resultado desejado e previsto. A proteção constitucional do sigilo da foi para o espaço. Era o que a PF, o Ministério Público, Moraes e Dino queriam.
A seria Raimundo Cutrim, ex-secretário de Governo do Maranhão. Cutrim está em prisão domiciliar determinada por Flávio Dino desde julho, por causa de outras atividades. As quizilas da política maranhense têm de tudo, nunca precisaram atropelar a Constituição por decisão monocrática de um ministro do Supremo.




