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Economia

El Niño pode elevar conta de luz em 2027 ao reduzir reservas das hidrelétricas

Por Atualizado em 17 Jun 2026, 23h36 5 min de leitura Expresso Rio
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A confirmação do retorno do fenômeno El Niño pela Administração Nacional Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos (NOAA) acendeu um alerta para o setor elétrico brasileiro. Com 63% de probabilidade de alcançar intensidade considerada muito forte entre novembro de 2026 e janeiro de 2027, o evento climático pode comprometer as reservas de água acumuladas nos últimos anos e provocar aumento nas tarifas de energia elétrica.

Embora o país ainda conte com reservatórios em níveis confortáveis, especialistas avaliam que o impacto mais significativo não deve ocorrer em 2026, mas sim ao longo de 2027, quando os efeitos do fenômeno sobre o regime de chuvas poderão comprometer a recuperação dos estoques hídricos.

Atualmente, os reservatórios das hidrelétricas do Nordeste operam próximos da capacidade máxima, enquanto os sistemas do Sudeste e Centro-Oeste — responsáveis pela maior parte do armazenamento de água para geração elétrica — também apresentam condições favoráveis.

Segundo especialistas, porém, essa situação pode transmitir uma sensação enganosa de segurança diante da intensidade prevista para o próximo ciclo do El Niño.

Reservatórios podem perder capacidade de recuperação

De acordo com meteorologistas, o período de maior influência do El Niño coincidirá justamente com a estação chuvosa do Sudeste e Centro-Oeste, que ocorre entre setembro e março. Esse intervalo é fundamental para a reposição dos reservatórios que abastecem o sistema hidrelétrico nacional.

A expectativa é de chuvas mais irregulares e abaixo da média em diversas regiões do país, especialmente nas áreas que concentram os principais reservatórios. Caso a recuperação hídrica seja insuficiente durante o verão, o sistema poderá enfrentar dificuldades ao longo do período seco de 2027.

Apesar das preocupações, especialistas descartam, neste momento, um cenário semelhante à crise hídrica enfrentada em 2021. A ampliação da matriz energética brasileira, com maior participação das s eólica e solar, contribui para reduzir os riscos de desabastecimento.

Uso de termelétricas pode pressionar tarifas

O principal impacto esperado para os consumidores está relacionado ao possível acionamento das usinas termelétricas. Essas unidades entram em operação quando os níveis dos reservatórios ficam baixos e a geração hidrelétrica se torna insuficiente para atender à demanda.

Como possuem custos operacionais mais elevados, as termelétricas influenciam diretamente o sistema de bandeiras tarifárias. Nessas situações, os encargos adicionais são repassados às contas de luz dos consumidores.

Além do aumento das tarifas, economistas e especialistas do setor apontam que o encarecimento da energia pode provocar efeitos indiretos sobre a inflação, elevando custos para empresas e consumidores em diversos segmentos da economia.

A preocupação é que a alta dos preços da eletricidade tenha impacto sobre toda a cadeia produtiva, pressionando índices inflacionários em um momento de recuperação econômica.

Excesso de energia hoje pode dar lugar à escassez amanhã

O cenário atual do sistema elétrico brasileiro é marcado por uma situação oposta à projetada para 2027. Em vários momentos, especialmente nos fins de semana e feriados, o Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) tem determinado cortes temporários na geração de energia devido ao excesso de oferta proveniente das s solar e eólica.

Recentemente, o operador chegou a adotar medidas emergenciais para gerenciar o excedente energético, reduzindo a produção de usinas conectadas à rede de distribuição.

No entanto, especialistas ressaltam que as s renováveis apresentam característica intermitente, dependendo das condições climáticas para produzir energia. Por isso, elas não substituem integralmente as s consideradas firmes e despacháveis, como hidrelétricas e termelétricas.

Quando há períodos prolongados de estiagem e aumento do consumo, o sistema necessita de s capazes de gerar energia continuamente, independentemente das condições meteorológicas.

Mudanças climáticas ampliam os efeitos do fenômeno

Meteorologistas alertam que o novo ciclo do El Niño poderá ocorrer em um planeta mais aquecido do que em eventos passados. Esse fator tende a potencializar extremos climáticos, ampliando tanto períodos de calor intenso quanto episódios de chuva severa.

A expectativa é de temperaturas acima da média em grande parte do território brasileiro, além de ondas de calor mais frequentes e prolongadas.

No Sul do país, o fenômeno pode provocar chuvas intensas e persistentes, ampliando o risco de enchentes e desastres naturais. Especialistas avaliam que os impactos podem atingir áreas mais amplas do que as observadas durante os eventos recentes.

Estados como Santa Catarina e Paraná também podem enfrentar episódios climáticos severos, além do Rio Grande do Sul, que sofreu com enchentes históricas em 2024.

Risco de tempestades e queimadas preocupa setor elétrico

Além da pressão sobre os reservatórios, o El Niño traz desafios adicionais para a infraestrutura energética brasileira.

No Sudeste e Centro-Oeste, a combinação de altas temperaturas e umidade favorece a formação de tempestades severas, acompanhadas por ventos fortes, granizo e descargas elétricas. Esses eventos podem causar danos à rede de distribuição e aumentar o número de interrupções no fornecimento.

Empresas do setor já intensificam o monitoramento meteorológico e reforçam protocolos de resposta rápida para minimizar impactos sobre os consumidores.

Já no início de 2027, outro risco ganha relevância: o aumento das queimadas. Com a redução gradual da umidade e o avanço de períodos mais secos, cresce a possibilidade de incêndios próximos às linhas de transmissão do Sistema Interligado Nacional.

Especialistas alertam que o fogo pode comprometer estruturas estratégicas, provocar desligamentos e aumentar a vulnerabilidade do sistema elétrico em diferentes regiões do país.

Enquanto isso, o ONS afirma manter acompanhamento permanente das condições hidrometeorológicas e destaca que a intensidade definitiva do fenômeno e seus impactos operacionais ainda dependem da evolução das condições climáticas nos próximos meses.

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