Rogério Lourenço Novo, dono da Contábil Corrêa Contabilidade & Auditoria Ltda., empresa que pagou R$ 500 mil ao escritório do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), já foi investigado por crime contra a ordem tributária e lavagem de dinheiro em um caso envolvendo executivos do ramo automotivo.
Em 2020, a Polícia Federal acusou Novo de usar notas fiscais falsas por meio de outras três empresas entre 2013 e 2015. A Justiça Federal de Sorocaba, no interior de São Paulo, arquivou o caso em 2021, a pedido do Ministério Público Federal, depois que a companhia pagou débitos gerados por firmas apontadas como fachadas.
Os valores ligados ao caso arquivado somavam R$ 94 milhões, em montantes da época, entre tributos sonegados e multas aplicadas. Em 8 de outubro de 2025, a defesa de Novo pediu a baixa do processo e a retirada de seu nome da ação, mas o registro permanece público.
O caso antigo não tem relação com as notas fiscais emitidas pelo escritório de Flávio Bolsonaro. A banca do senador emitiu duas notas de R$ 500 mil para a Copenhagen Assessoria e Consultoria S.A., ambas canceladas, e uma nota de R$ 500 mil para a Contábil Corrêa, que não foi cancelada.
Empresas de Novo aparecem no mesmo endereço
A Contábil Corrêa foi criada em março de 2005 com o nome Contábil Corrêa Ltda. e adotou a denominação atual em 2023. Desde a abertura, Rogério Lourenço Novo consta como único sócio da firma.
A empresa fica na Rua Niterói, 362, conjunto 47, no Centro de São Caetano do Sul, no ABC paulista. No mesmo endereço também aparecem registradas outras firmas do segmento, entre elas o Escritório de Prestação de Serviços Global Ltda. e a Copenhagen Assessoria e Consultoria S.A.
Documentos da Receita Federal obtidos pela CPI do Crime Organizado apontam que o Banco Master repassou R$ 57,9 milhões à Copenhagen entre 2024 e 2025. O material em poder do colegiado não traz as datas exatas dos pagamentos.
A Copenhagen, que declara capital social de R$ 40, é investigada no escândalo do Master sob a acusação de ser uma empresa de fachada. Já a Contábil Corrêa mantém site com serviços de gestão contábil, financeira, tributária, fiscal e societária, além de fluxo de caixa e regularização de empregados.
Em vídeo publicado nas redes sociais, Flávio Bolsonaro disse que atuou para a Contábil Corrêa e que chegou a negociar com a Copenhagen, mas negou vínculo com irregularidades no Banco Master. “Fiz um trabalho para uma empresa. Fui contratado para isso e prestei serviços advocatícios. Relação completamente legal e privada. Em outra oportunidade, não aceitei trabalhar para essa empresa chamada Copenhagen, que supostamente foi usada por (Daniel) Vorcaro para fazer pagamentos a algumas pessoas. Não foi o meu caso. Cancelei duas notas fiscais”, afirmou o senador.
Novo não respondeu aos questionamentos sobre os serviços prestados a Flávio Bolsonaro nem sobre o processo arquivado. A Contábil Corrêa se apresenta nas redes como uma firma com “40 anos contabilizando histórias de sucesso”, enquanto a Copenhagen não tem site nem perfis públicos em redes sociais.