, segundo a pesquisa Genial/Quaest divulgada nesta quarta-feira (15). Embora os percentuais ainda estejam em empate técnico dentro da margem de erro, o levantamento aponta uma mudança de tendência na avaliação da administração federal após meses de predominância da rejeição.
Além dos números, a pesquisa traz uma análise sobre os fatores que contribuíram para essa recuperação. Em artigo publicado pelo portal g1, o diretor da Quaest, Felipe Nunes, atribui a melhora ao impacto percebido de políticas econômicas e sociais implementadas pelo governo nos últimos meses.
Entre elas estão o programa Desenrola 2.0, voltado à renegociação de dívidas, o avanço das discussões sobre o fim da escala de trabalho 6×1 e a ampliação da faixa de isenção do Imposto de Renda para trabalhadores com renda de até R$ 5 mil.
“O que estamos mostrando: a aprovação do governo tem uma melhora consecutiva desde abril”, afirmou Nunes.
Segundo ele, o movimento está diretamente relacionado às ações adotadas pelo Executivo.
“Essa melhora é fundamentada em 3 fatores: o desenrola dimuinui as dívidas dos brasileiros, a discussão sobre o fim da escala 6×1 cria a expectativa de que as pessoas vão poder trabalhar menos e ter mais qualidade de vida, e a isenção do IR finalmente começa a chegar em setores importantes da sociedade.”
Aprovação volta a superar desaprovação
Os dados mostram que 48% dos brasileiros aprovam atualmente o governo Lula, enquanto 47% desaprovam a gestão.
Apesar da diferença de apenas um ponto percentual, considerada empate técnico, o resultado representa uma inversão em relação aos levantamentos anteriores.
Há um ano, a desaprovação atingia 53%, enquanto a aprovação era de 43%, uma diferença de dez pontos percentuais.
Já em abril deste ano, a distância permanecia significativa: 52% desaprovavam o governo e 43% aprovavam a administração.
Na avaliação da Quaest, a evolução dos números indica uma recuperação consistente da imagem do governo desde o início do segundo trimestre deste ano.
Eleitores independentes mudam percepção
Um dos principais destaques da pesquisa está na mudança de comportamento dos chamados eleitores independentes.
Esse grupo reúne brasileiros que não se identificam como lulistas, bolsonaristas, de esquerda ou de direita e representa aproximadamente um terço do eleitorado nacional.
Segundo a Quaest, foi justamente nesse segmento que ocorreu a maior mudança de percepção.
Entre abril e julho, a desaprovação ao governo caiu de 58% para 45%, enquanto a aprovação cresceu de 32% para os mesmos 45%.
Para Felipe Nunes, esse movimento pode ter impacto relevante no cenário político.
“Esse é o grande ponto”, destacou o diretor da pesquisa ao comentar os resultados.
Desenrola 2.0 amplia avaliação positiva
Outro dado apontado pelo levantamento envolve o programa Desenrola 2.0, criado para facilitar a renegociação de dívidas dos brasileiros.
O conhecimento sobre a iniciativa aumentou significativamente desde seu lançamento.
Hoje, 66% dos entrevistados afirmam conhecer o programa, contra 57% registrados em maio.
Além disso, a maioria dos participantes avalia positivamente a medida.
Segundo a pesquisa:
- 55% consideram o Desenrola uma boa iniciativa do governo;
- 35% afirmam que sua renda aumentou significativamente após o lançamento do programa, percentual superior aos 30% registrados em junho.
Para Felipe Nunes, os resultados demonstram que a política pública passou a produzir efeitos percebidos pela população.
“Ou seja, os brasileiros estão reconhecendo que a renegociação das dívidas delas é importante”, afirmou.
Os indicadores financeiros também mostram melhora na situação declarada pelos entrevistados.
O percentual de pessoas que afirmam não possuir dívidas aumentou de 27% para 31% entre maio e julho.
No mesmo período, aqueles que disseram ter muitas dívidas caíram de 28% para 21%.
Fim da escala 6×1 gera impacto político
Outro fator apontado pela Quaest é o impacto político do debate sobre o fim da jornada de trabalho no modelo 6×1.
Mesmo sem mudanças definitivas na legislação, o tema já estaria influenciando a percepção da população sobre o governo.
Segundo Felipe Nunes, a simples expectativa de redução da carga de trabalho produz efeitos positivos na avaliação da administração federal.
“Qual é o grande segredo [do fim] da escala 6×1? A gente encontra uma expectativa positiva sobre a ideia de trabalhar menos, ou seja, o governo está conseguindo criar uma expectativa, e isso obviamente ajuda o governo a melhorar”, afirmou.
Isenção do IR também influencia avaliação
A ampliação da faixa de isenção do Imposto de Renda para trabalhadores que recebem até R$ 5 mil aparece como outro elemento associado à melhora da aprovação presidencial.
Segundo a pesquisa, aumentou o número de brasileiros que afirmam perceber melhora na renda desde a implementação da medida.
Os dados mostram que:
- 24% dizem que a renda aumentou significativamente, ante 15% registrados em fevereiro e 17% em abril;
- o percentual daqueles que afirmam não ter percebido qualquer mudança caiu de 50% para 39% no mesmo período.
Na avaliação da Quaest, o conjunto dessas iniciativas econômicas contribuiu para fortalecer a percepção positiva do governo junto à população e explica a recuperação gradual observada nos índices de aprovação desde abril.




