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Da CSN ao tarifaço de Trump: como os EUA influenciaram a política brasileira

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Da CSN ao tarifaço de Trump: como os EUA influenciaram a política brasileira

Os Estados Unidos voltaram ao centro da política brasileira em meio a tarifas comerciais, sanções, disputas diplomáticas e manifestações do governo Donald Trump sobre temas internos do Brasil, num ano eleitoral em que a política externa ganhou peso no debate público. Com informações de Metrópoles.

A tensão recente envolve a aplicação de novas tarifas sobre produtos brasileiros, a defesa política do ex-presidente Jair Bolsonaro e a inclusão do Primeiro Comando da Capital e do Comando Vermelho na lista americana de organizações terroristas estrangeiras.

A influência de Washington sobre o Brasil atravessa diferentes períodos históricos. Os EUA financiaram grupos políticos na Guerra Fria, prepararam apoio logístico para uma eventual intervenção militar em 1964, pressionaram governos brasileiros por vias econômicas e diplomáticas e, em 2022, defenderam publicamente o respeito ao resultado das eleições.

A primeira grande aproximação política ocorreu na Segunda Guerra Mundial, quando o governo Franklin D. Roosevelt adotou a Política da Boa Vizinhança para ampliar a influência americana na América Latina e conter o avanço das potências do Eixo. Getúlio Vargas negociou empréstimos e investimentos para viabilizar a Companhia Siderúrgica Nacional, autorizou bases aéreas no Nordeste e enviou a Força Expedicionária Brasileira para lutar com os Aliados na Europa.

Guerra Fria, golpe de 1964 e ditadura militar

Durante a Guerra Fria, Washington passou a tratar o governo João Goulart com desconfiança depois da posse do presidente, em 1961, por causa das propostas de reformas estruturais e da aproximação diplomática com países socialistas. Documentos desclassificados revelaram financiamento americano a grupos e campanhas contrárias a Goulart por meio de organizações como o Instituto Brasileiro de Ação Democrática.

Em março de 1964, a Casa Branca preparou a Operação Brother Sam, que previa o envio de porta-aviões, destróieres, navios-tanque, combustíveis, armamentos e apoio logístico aos militares brasileiros caso houvesse resistência à deposição de Goulart. Como o golpe se consolidou rapidamente, a operação não precisou ser executada integralmente.

Os EUA reconheceram de imediato o regime militar e ofereceram apoio financeiro e diplomático ao governo do marechal Humberto Castello Branco. A cooperação política, econômica e militar marcou os primeiros anos da ditadura, mas a relação se deteriorou na década de 1970, quando o governo Jimmy Carter passou a criticar violações de direitos humanos no Brasil.

Décadas depois, documentos desclassificados entregues pelo governo americano à Comissão Nacional da Verdade confirmaram que autoridades dos EUA tinham conhecimento de práticas sistemáticas de tortura nos órgãos de repressão brasileiros. Nos anos 1990, Washington defendeu abertura econômica, livre comércio e a Área de Livre Comércio das Américas, enquanto os governos Lula priorizaram Mercosul, Brics e relações com países emergentes.

Espionagem, eleições de 2022 e nova pressão de Trump

No governo Dilma Rousseff, documentos revelados pelo ex-analista da Agência de Segurança Nacional Edward Snowden mostraram, em 2013, que os Estados Unidos espionaram comunicações da então presidente, de ministros e da Petrobras. Dilma cancelou uma visita de Estado a Washington, e a crise diplomática só teve reaproximação no ano seguinte, quando Joe Biden entregou documentos sobre a ditadura militar brasileira.

A atuação americana voltou ao centro da política brasileira nas eleições de 2022, após Jair Bolsonaro questionar o sistema eleitoral. Integrantes do governo Biden intensificaram contatos com autoridades brasileiras, defenderam publicamente a confiança nas urnas eletrônicas e sinalizaram que uma ruptura institucional traria consequências para a relação bilateral; a Casa Branca reconheceu a vitória de Luiz Inácio Lula da Silva logo após a proclamação do resultado pelo Tribunal Superior Eleitoral.

O retorno de Donald Trump à Casa Branca, em 2025, abriu uma fase de confronto direto. O presidente americano admitiu publicamente que a tarifa de 50% anunciada contra produtos brasileiros tinha motivação política e afirmou que a medida respondia ao tratamento dado pelo Brasil a Jair Bolsonaro, condenado por tentativa de golpe de Estado.

A tarifa inicial foi substituída por novas alíquotas ligadas a investigações comerciais conduzidas pelo Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos, incluindo uma taxa adicional de 25% sobre determinados produtos e uma sobretaxa de 12,5% relacionada à apuração sobre trabalho forçado. Washington também ampliou críticas ao Brasil sobre comércio digital, Pix, propriedade intelectual e atuação do Supremo Tribunal Federal.

Em meio às negociações comerciais, o secretário de Estado Marco Rubio responsabilizou Lula pelo fracasso das conversas tarifárias e disse que o presidente colocou “o próprio ego” acima dos interesses econômicos do país. Lula respondeu que Rubio poderia participar livremente da campanha eleitoral de 2026 e apoiar o senador Flávio Bolsonaro, afirmando que a disputa seria vencida “em nome da democracia”.

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